A torcida pediu uma boa vitória e o Flamengo entendeu fazer história

03/06/2024, 14:36
Atualizado: 03/06/2024
Gabigol comemora o sexto gol do Flamengo diante do Vasco

Ainda que a vida possa ser cheia de complicação, com internet que cai quando você precisa, voo que é cancelado sem explicação e viagem longa com motorista de Uber que quer te oferecer informações bem gráficas sobre a época que ele e a esposa faziam swing, é preciso reconhecer que ela também pode ser cheia de momentos perfeitos ou bem perto disso. 

É a reunião marcada pra sexta de tarde sendo cancelada, é datezinho gostoso com a pessoa que tu acha foda, é promoção de coisa cara que você tava precisando pra casa, é bar em que o garçom já traz uma saideira de cortesia sem você e sua galera precisarem ficar se humilhando pra tentar beber um copinho de graça.

JOÃO LUIS JR.: Uma vitória fácil numa classificação que poderia ser mais fácil ainda

E poucas coisas foram mais perfeitas, poucas alegrias foram tão alegres, poucas partidas pareceram menos um jogo real e mais uma gostosa fantasia do torcedor quanto a goleada deste domingo, um sonoro 6×1 diante do Vasco, que já configura a maior vitória rubro-negra na história do clássico.

Primeiro pela crueldade que o destino cometeu ao encher sim o adversário de esperança. O belíssimo gol de Vegetti, as oportunidades criadas no começo, a confiança do goleiro Leo Jardim, que matou no peito um chute de Cebolinha para mostrar “quem é que mandava ali”, tudo isso criou por alguns minutos a sensação de que estava ali um novo Vasco, com um novo técnico, que poderia sim conseguir uma importante vitória.

Uma maldade imensa, dado o fato de que o que se veria depois seria uma mistura de recital, massacre e comprovação prática de que não apenas karma existe como às vezes ele te pega com a força e intensidade de uma tijolada na cara realizada enquanto você dorme no ônibus pro serviço.

Cebolinha comemora gol do Flamengo sobre o Vasco; Camisa 11, Gabigol e maior goleada da história sobre o Vasco
Foto: Wagner Meier/ Getty Images

Isso porque depois do gol de empate marcado por Cebolinha, foi exatamente de peito que Pedro virou a partida, em uma jogada indecente do mesmo Cebolinha, que fez uma de suas maiores partidas com a camisa do Flamengo.

Depois foi a vez de David Luiz finalmente dar aquela alegria para seu povo que ele prometia desde a fatídica Copa do Mundo e fazer um golaço de voleio, que seria o último momento importante do primeiro tempo não fosse a brilhante decisão do zagueiro adversário de aplicar uma ousada rasteira pra cartão vermelho, talvez apostando no histórico recente do Flamengo de não atuar tão bem contra times com jogadores a menos.

Mas o plano não deu certo. Se no 11 contra 11 o Flamengo já sobrava, com superioridade numérica a já visível superioridade técnica ficou mais clara ainda. Primeiro com Arrascaeta e depois com Bruno Henrique, o Flamengo ampliou ainda mais a vantagem, e a tarde que já era linda, se transformou em mágica quando até mesmo Gabigol balançou as redes, fazendo as pazes com o gol e a torcida – depois do jogo o homem postou um trecho da epístola de Paulo aos Coríntios, mas a essa altura é visível que ele está fazendo de sacanagem.

Tivemos então, uma das partidas mais perfeitas da história do Flamengo. Um atropelo total e completo, uma aula de futebol de jogadores como Arrascaeta, Pedro e Cebolinha, gols de craques históricos como BH e Gabi e até mesmo situações extremas como Varela quase fazendo gol e Wesley dando assistência, algo que não aconteceria nem nos sonhos mais loucos do torcedor mais alucinado depois de beber a cachaça mais forte. 

E se isso foi um sonho, que a gente não acorde tão cedo. Que essa liderança no Brasileirão vá até o final, que esse futebol absurdo se mantenha nos próximos jogos, que o que aconteceu no Maracanã neste fim de semana não seja a exceção, mas sim a nova base de um Flamengo que sempre teve a capacidade pra proporcionar partidas assim, mas parecia não ter a vontade e a organização pra isso. Porque ganhar é sempre bom, mas ganhar indo pra cima e fazendo história, é o que a camisa rubro-negra nasceu pra fazer. 


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