
A pergunta que não quer calar é: qual o motivo de tanto desgaste para voltar a jogar sem público e sem transmissão?
Blog Resenha Rubro-Negra | por Ricardo Moura
Nunca fiz às vezes de ser o cara do contra. Muitas vezes para evitar brigas. Mas alguns assuntos a gente precisa se posicionar. Flamengo e Governo Federal alinham uma parceria tem tempo. Antes, além de presença do líder da nação nos estádios, tínhamos algumas visitas de Landim a Brasília. Até aí, tudo normal, o Clube precisa e deve ser “simpático” a todas frentes. Mas algo começou a mudar na “união”.
Lá atrás, no começo da pandemia, que já matou quase 50 mil brasileiros e infectou mais de 1 milhão, o presidente da república, Jair Bolsonaro (sem partido), em um dos seus pronunciamentos, esboçou a ideia que o futebol precisava voltar, para dar uma “animada” no povo.
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O futebol na terra de Cabral estava parado. ESTAVA! O Flamengo reativou o esporte, um esforço enorme, algumas manchas institucionais e uma porrada de crítica da imprensa. A pergunta que não quer calar é: qual o motivo de tanto desgaste para voltar a jogar sem público e sem transmissão?
A resposta veio como em uma negociação qualquer. Quem já mandou fazer um projeto de móvel planejado vai entender. Você entra na loja, te mostram o projeto, após sua aprovação o vendedor manda…
— O pagamento funciona assim. 50% na aprovação do projeto e os outros 50% a gente acerta após a entrega.

Horas antes de entrar em campo, o Brasil foi surpreendido com a aprovação da MP, que já foi batizada como MP do Flamengo. O clube ganha um ponto na disputa com a Globo, empresa que não conseguiu comprar os direitos do atual campeão brasileiro, e começa um novo movimento de “liberdade” no futebol brasileiro. Essas são os 50% na aprovação do projeto.
A bola rola, o Flamengo ganha, a imprensa bate, o presidente da república comemora, e horas depois o Banco Regional de Brasília (BRB) confirma o acerta de patrocínio com o Flamengo. Valores altos para o Brasil, ainda mais em meio a pandemia. Esses são os 50% após a entrega do projeto.
O Flamengo sentou na mesa com um negociador de móveis planejados. Escolheu uma sala e uma cozinha. Acertou o pagamento e fechou o negócio. Podemos, no futuro, avaliar se foi uma boa ou não. Hoje, no calor do momento, ao invés do projetista, parece que sentamos com o diabo e vendemos a nossa alma. Como disse, o futuro vai dizer.
Ricardo Moura é jornalista e não gostaria de ver o Flamengo tendo qualquer ligação financeiro com instituições que tenham dinheiro e poderes públicos.
*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Reprodução