A lista da profanação

17/06/2020, 13:05
Atualizado: 01/11/2023
flamengo maracanã

O bom e velho Maracanã virou uma piada na mão de gente que não respeita a história. A sacanagem é feita fisicamente e moralmente. Tá difícil pra você, amigo

Blog Resenha Rubro-Negra | por Ricardo Moura

Em tempos de destruição e profanação um local está sendo estuprado diariamente. O bom e velho Maracanã virou uma piada na mão de um gente que não respeita a história. A sacanagem é feita fisicamente e moralmente. Tá difícil pra você, amigo.

Primeiro destruíram o estádio. As cadeiras, agora coloridas, não escondem o ar triste que ficou. O Maracanã, com seus ótimos telões, mais parece uma tarde cinzenta de Londres do que um começo de manhã ensolarado do Rio de Janeiro.

Blog Resenha Rubro-Negra | Ricardo Moura: Ser ídolo

Mas a facada maior estava por vir. Ela veio sorrateira e nem terá o mesmo barulho que tiveram as reformas. Você pode destruir a casa de alguém, pode mudar os cômodos e até alterar o endereço. Mas jamais apagará o que ali dentro foi vivido.

Eis que meia dúzia de jornalistas resolveram profanar sua história. Um grande portal, da maior emissora do Brasil, resolveu fazer e divulgar uma lista com os maiores jogos do estádio, para comemorar os seus 70 anos. A lista foi feita por jornalistas.

Pasmem.

Calma, antes vou tirar o lado clubista.

Garrincha foi, junto com Zico, o maior nome do estádio.

Pronto, agora PASMEM. A lista não tem nenhum jogo do Botafogo. A lista tem uma vitória do Flamengo. A lista tem uma vitória do Fluminense. A lista não tem uma vitória do Vasco.

A votação, que teve nomes de peso do jornalismo atual, simplesmente excluiu Garrincha e Dinamite. Limitou Zico a um jogo e parece ter esquecido dos grandes jogos dos clubes cariocas ao longo dos 70 anos.

Blog Resenha Rubro-Negra | Marcelo Neves: O malvado Flamengo

Mas, assim como nas ações políticas, a velha máxima será dita pra essa gente. Seus nomes ficaram na história. Vocês serão lembrados pra sempre. Seja o Governador que permitiu a destruição do estádio, ou dos jornalistas que mais uma vez colocaram Garrincha e outros no encosto de um Vasco e Corinthians, pela final de um mundial que até hoje não é levado a sério. O tempo cuidará de vocês. Isso tudo estará em biografias.

O gigante que tenta sobreviver não pode se abater. Cabe a nós, independente do time de coração, pegar o estádio no colo e dar a ele o devido valor.


Compartilhe
Ricardo Moura
Autor
Ricardo Moura é jornalista e apaixonado pelo Flamengo. Não debate finanças e reluta em usar termos da moda, como terço final e mapa de calor. Acredita que o futebol e o Flamengo trabalham com a paixão e por isso esquece números e se apega ao lúdico do ...