João Luis Jr: Não existem soluções simples para problemas complicados

13/04/2023, 09:45
Atualizado: 01/11/2023
Marcos Braz e Rodolfo Landim despertam ira de torcida do Flamengo

Finalmente aconteceu. Após três meses intensos em que perdeu títulos, sofreu humilhações, quebrou (negativamente) diversos recordes mas não conseguiu fazer o Flamengo jogar bem por mais de 20 minutos seguidos, Vítor Pereira parece ter atingido seu grande objetivo esportivo da temporada e irá receber sua polpuda multa rescisória na casa de R$ 15 milhões, podendo agora se dedicar integralmente a cuidar de sua sogra enquanto procura algum clube que aceite colocar rescisão alta pra um treinador que visivelmente não vai durar seis meses

E como é comum logo depois que o desastre acontece, temos agora uma chuva de análises, de todos os lados, explicando não apenas porque tudo deu errado mas também qual rumo o Flamengo deveria tomar de agora em diante.

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Desde pessoas afirmando que o Flamengo precisa abandonar de vez qualquer tentativa de treinador estrangeiro até gente garantindo que nenhum técnico vai dar certo no Flamengo porque o elenco vai derrubar todo mundo, são muitas as análises tentando apontar um problema específico como a razão de tudo que vem acontecendo de errado no clube desde a saída de Jorge Jesus, sendo que o problema, como ficou claro nos últimos 3 anos, é bem mais complexo que isso.

Braz, Landim, Spindel e Vitor Pereira
Foto: Marcelo Cortes/CRF
Imagens que precedem o pagamento de multa milionária

Porque é evidente que o Flamengo não teve sucesso com seus últimos treinadores estrangeiros. Dome não tinha experiência o bastante para o desafio, Paulo Sousa se perdeu rapidamente e Vítor Pereira é muito mais um esquema de pirâmide do que um técnico de futebol. Mas isso reflete um problema com “treinadores estrangeiros” ou apenas a falta de critério e comando da nossa diretoria, que contrata de maneira aleatória e depois não dá suporte ao trabalho?

Nesse sentido, também fica claro que o elenco rubro-negro tem força no vestiário e ele comprar ou não as ideias do treinador é algo que faz uma diferença imensa no desempenho da equipe. Mas não é parte do trabalho do treinador lidar com pessoas? E se ter vencedores no clube é um problema, o foco então se torna contratar o máximo de fracassados e perdedores compulsivos?

A verdade é que por mais que seja fácil apontar um problema como sendo central para o começo de ano patético que vive o Flamengo  – e que não faltem problemas para se apontar nesta temporada – é preciso um diagnóstico mais amplo para entender porque o Flamengo  vem conseguindo, com tantos recursos, sejam financeiros, sejam técnicos, desperdiçar tantas oportunidades e passar tantas vergonhas.

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Jorge Jesus enquanto técnico do Flamengo; treinador sonha dirigir a Seleção Brasileira
Foto: Alexandre Vidal / Flamengo
O velho se chama Jesus mas não faz milagre também

Afinal, temos um presidente que parece claramente não ver o Flamengo como prioridade, novamente viajando para Brasília durante um momento de crise. Temos um vice-presidente de futebol que não apenas usa o clube com objetivos políticos como parece não ter o mais remoto critério para escolher treinadores. E temos um departamento de futebol que em diversos momentos parece apenas decorativo, com muita gente mas absolutamente nenhum poder de decisão.

Por mais que seja possível o retorno de Jorge Jesus, que apaziguaria elenco e torcedores e serviria de escudo para a diretoria, é preciso saber. Por mais vencedor e capacitado que seja, nosso querido idoso português não irá ficar pra sempre. E o Flamengo precisa ser capaz de funcionar sem JJ, seja dentro ou fora de campo.

Vítor Pereira e sua lamentável passagem pelo Flamengo podem ter se encerrado. Mas grande parte dos problemas ficou, e é preciso buscar soluções o quanto antes, seja com Jorge Jesus ou sem ele.


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