Marcos Paulo Neves: Por memória, por justiça!

O dia 8 de fevereiro é um dia de luto e tristeza para os flamenguistas. Nesse dia, em 2019, 10 dos nossos Garotos do Ninho morreram no incêndio do contêiner em que dormiam no CT, ocasionado pelo descaso e irresponsabilidade dos responsáveis por cuidarem de vários garotos entre 14 e 15 anos.
Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas; Pablo Henrique da Silva Matos; Bernardo Pisetta; Christian Esmério; Vitor Isaias; Samuel Thomas Rosa; Athila Paixão; Jorge Eduardo; Gedson Santos; e Rykelmo Viana eram seus nomes.
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De lá pra cá, muita coisa aconteceu referente ao caso. Infelizmente, poucas delas de maneira positiva no sentido de abraçar as famílias dos Garotos do Ninho e buscar justiça através da penalização dos responsáveis. Depois de cinco anos, o caso dos nossos meninos viram uma mancha ainda maior numa diretoria de cofre rico, porém falida moralmente.
A gestão anterior
Na esfera criminal, o maior avanço que tivemos foi a determinação de nove réus para o caso. Porém, nada avançou em relação a isso. Dentre eles, está Eduardo Bandeira de Mello, ex-presidente e o mandatário que inaugurou o CT do Ninho do Urubu. Bandeira de Mello chegou a declarar, em 2020, que o incêndio não teria acontecido se fosse o presidente. Uma fala absolutamente desrespeitosa.
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Ademais, Bandeira de Mello faz parte do grupo de oposição nas eleições do clube esse ano e seu nome é constantemente ventilado para encabeçar a chapa contra a situação. Como isso é uma coluna de opinião, manifesto o erro que é colocar como candidato alguém investigado pela maior tragédia da história do clube. É um posto que o ex-presidente não merece.
A diretoria atual
Por mais que, até o momento, não tenha culpa criminal pelo ocorrido, a atual diretoria se tornou especialista em tomar as decisões mais desumanas, desrespeitosas e irresponsáveis sobre os Garotos. Desde a dificuldade inicial em realizar um acordo financeiro com as famílias, passando pela patética não autorização da entrada dos familiares no primeiro ano do caso até as ridículas notas postadas no site, a diretoria de Landim dá exemplo de como não tratar uma situação como essa.

Ontem, no intervalo do clássico contra o Botafogo, a diretoria resolveu postar uma nota em seu site lamentando mais um ano do ocorrido e dando explicações sobre o processo de indenização com os pais de Christian Esmério, únicos familiares a não terem acordo firmado com o clube. Ambos recebem indenizações impostas pela justiça enquanto não há resolução.
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Foi mais um capítulo ridículo do show de horrores que é a gestão Landim sobre nossos Garotos. Uma nota jogada na surdina, no intervalo de um jogo como tentativa de gerar pouca repercussão. Infelizmente, para eles, não funcionou, já que o ato em si deu justamente a repercussão negativa que eles não queriam.
Memória desrespeitada
Como se já não fosse suficiente todo o desrespeito institucional dos últimos cinco anos, o Museu Flamengo é mais um sintoma de como o caso é tratado internamente. Desde a inauguração, no dia 08 de agosto, o clube não instalou absolutamente nada que celebrasse a memória dos 10 meninos. Questionados pelo jornalista Mauro Cezar Pereira, o clube respondeu que “a homenagem para os meninos do Ninho está lá no CT mesmo”.
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No caso o porta-voz se referiu à capela que leva a imagem dos meninos. Algo que é pouco mediante do justo.
Vale lembrar, a composição de um museu é uma escolha de seus responsáveis. Ali são contadas histórias de acordo com os interesses de quem o paga e gere. Portanto, não é surpresa pra ninguém ver a memória dos nossos meninos de fora também de um espaço que conta a história do clube. Não podemos achar que o museu é um espaço de narração somente de glórias para justificar o apagamento da tragédia. Esse episódio faz parte da nossa história, e as vítimas e sua família não merecem o apagamento.
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Autoria: Airá Ocrespo
Felizmente, parte da torcida realiza um excelente trabalho de memória. Destaque ao grupo Flamengo da Gente e ao belíssimo mural pintado na atualmente chamada Avenida Rei Pelé, em frente ao Maracanã, pelo artista Airá Ocrespo.
Por memória, por Justiça
Por fim, repito seus nomes: Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas; Pablo Henrique da Silva Matos; Bernardo Pisetta; Christian Esmério; Vitor Isaias; Samuel Thomas Rosa; Athila Paixão; Jorge Eduardo; Gedson Santos; e Rykelmo Viana.
Nossa luta é por memória, por Justiça.
#NãoEsquecemos