Uma coisa supostamente divertida que eu nunca mais vou fazer

17/08/2017, 23:15
Atualizado: 01/11/2023

Desde que nos vimos pela última vez muita coisa aconteceu por aqui. Eu estava saindo de Alamogordo, New Mexico, resolvendo mil tretas com o motorhome.

Desde então, fui até Bisbee, Arizona, na fronteira do México e me apaixonei pela cidade, fiz 31 anos em Lone Rock Beach, perto do Grand Canyon, acampei no Grand Canyon, dormi em uns 20 postos de gasolina, fiz a trilha mais incrível da minha vida em Zion National Park, acampei em Yosemite, um dos meus lugares favoritos no mundo, comprei um gerador novo que me faz o homem mais feliz do mundo, peguei 49 graus no deserto do Mohave em Death Valley, e ainda por cima fiz uma coisa supostamente divertida que eu nunca mais vou fazer: arrumei tempo de casar com a Marina em Las Vegas.

Hoje escrevo de San Francisco, California. É bom estar aqui de novo. Depois dos 49 graus no deserto, nada como o verão de SF: 16 graus de dia, 10 graus de noite. São meados de agosto e começo a pensar muito no futuro e no que vem pela frente. De um lado, minha saída iminente dos EUA. Em que direção? Do outro a chegada do Rueda e suas primeiras digitais no nosso Flamengo. Influência que pode mudar nosso clube ou simplesmente comprovar que talvez o problema não seja técnico, mas místico.

Vou para o México em outubro sair da minha zona de conforto. É a primeira vez que abro isso para vocês. Até agora só quem sabia era eu, Marina e nossos clientes. A idéia é passar alguns meses lá e em algum momento aproveitar passagem por Cancun para ir a Cuba. Fidel dizia que “os homens morrem, mas o Partido é imortal”, e isso é tudo que eu penso atualmente sobre o Flamengo. Aguentei o máximo possível e fui até o final com o Zé Ricardo, mas nada pode ou será maior que nosso Flamengo. Que a trajetória de Rueda a frente de nosso esquadrão seja no mínimo tão longínqua quanto a do Zé.

Daqui começo a descer a Highway 1, ou parte dela, já que até hoje está em obras, devido ao colapso no começo do ano perto da região de Monterey e Carmel. Já fiz a Highway 1 umas cinco vezes, mas preciso fazer mais uma, dessa vez para os clientes, não para nós. Eu e Marina temos outros planos, e a cada local que vamos de novo temos a sensação de que dessa vez, se não for a última, será a última pelo menos pelos próximos 10, 15 anos. Como falei, temos outros planos. De vida. E eles não incluem tanto a estrada, ainda que incluam demais nosso motorhome Giuseppe. Mas tampouco incluem ver meu Flamengo de perto, morando no Rio de Janeiro ou qualquer cidade grande que o valha.

E por falar em frases célebres, quotes imortais, termino esse post lembrando de George Orwell e "A revolução dos bichos". Tenho acampado muito, logo, acabo ficando sem sinal de Internet, o que é bom, pois ando de saco cheio do Twitter. o Twitter é legal até que não é mais. Se você é flamenguista então, ainda mais em tempos de mudança, tem que aturar muita gente querendo seu nível de sangue rubro-negro. Até personagens simpáticos da Fla-TT vem vacilando caindo no alarmismo das massas. No clássico de Orwell, todos os porcos eram iguais, mas alguns eram mais iguais do que os outros. No Twitter, todos os flamenguistas são iguais, mas alguns se acham mais iguais do que os outros. Em tempo de racismo contra jogadores rubro-negros, é de se lamentar falsa camaradagem.

SRN!

Sou fotógrafo carioca morando em um motorhome com minha mulher e nossos cachorros, criando conteúdo pra We Are Alive e nossos clientes. Acima de tudo, rubro-negro! Inscreva-se no meu canal http://youtube.com/WeAreAlivenaestrada


O Mundo Bola precisa do seu apoio para não acabar, e melhorar ainda mais. Contribua mensalmente com nosso trabalho. Clique aqui: bit.ly/ApoiadorMundo Bola


Este texto faz parte da plataforma de opinião Mundo Bola Blogs, portanto o conteúdo acima é de responsabilidade expressa de seu autor, assim como o uso de fontes e imagens de terceiros. Fale com o editor: [email protected].


Compartilhe