Uma análise semi-quantitativa de Hugo, Diego Alves, Santos e João Paulo

04/03/2022, 16:39
Atualizado: 01/11/2023
Uma análise semi-quantitativa de Hugo, Diego Alves, João Paulo e Santos

Os atuais goleiros do Flamengo, Hugo e Diego Alves, não vem passando confiança ao torcedor rubro-negro nos últimos anos. Nesse sentido, alguns nomes surgiram para reforçar o Mengão no setor. Dentre eles, Santos e João Paulo.

Vamos analisar alguns dados dos quatro goleiros desde o início da temporada 2021 e interpretar o desempenho de um cada deles.

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Dados de Hugo, Diego Alves, Santos e João Paulo nos últimos dois anos

Antes de mais nada é necessário realizar uma consideração importante aos dados. Enquanto Diego Alves, Santos e João Paulo foram titulares de suas equipes na temporada 2021, por outro lado, Hugo Souza teve menos oportunidades. O goleiro rubro-negro possui uma quantidade menor de jogos a serem avaliados e, por isso, ocorre uma maior dispersão dos dados.

Além disso, é impossível realizar uma correlação direta entre os quatro devido aos contextos diferentes de Santos e João Paulo em relação aos goleiros do Flamengo. Então é preciso uma análise qualitativa dos números no intuito de buscar contextualização.

Conforme os dados fornecidos pelo Instat, vamos os números iniciais dos quatro goleiros desde o início da temporada 2021:

Hugo Souza
Jogos: 19
Jogos sem sofrer gol: 6 (0,32 por jogo)
Gols Sofridos: 18 (0,95 por jogo)
Finalizações sofridas/por jogo: 9
Passes Corretos: 90% por jogo

Diego Alves
Jogos: 51
Jogos sem sofrer gol: 21 (0,41 por jogo)
Gols Sofridos: 48 (0,94 por jogo)
Finalizações sofridas/por jogo: 10
Passes Corretos: 91% por jogo

João Paulo
Jogos: 64
Jogos sem sofrer gol: 21 (0,33 por jogo)
Gols Sofridos: 76 (1,19 por jogo)
Finalizações sofridas: 12 por jogo
Passes Corretos: 88% por jogo

Santos
Jogos: 50
Jogos sem sofrer gol: 20(0,4 por jogo)
Gols Sofridos: 50 (1 por jogo)
Finalizações sofridas: 12 por jogo
Passes Corretos: 86% por jogo

Destrinchando os chutes sofridos pelos quatro goleiros

Apesar de Santos e João Paulo terem, em média, o mesmo número de finalizações sofridas por jogo, o goleiro alvinegro sofreu mais finalizações no alvo que o arqueiro do Atlhetico. Em média, João Paulo sofreu 4,7 finalizações por jogo. Enquanto Santos sofreu 3,9 finalizações por jogo. Diego Alves e Hugo sofreram em médias menos finalizações, respectivamente 3,7 e 3,6.

Assim, é possível afirmar que João Paulo sofreu em média mais finalizações que os outros três gols avaliados. Bem como Santos e João Paulo tiveram um aproveitamento muito próximo em chutes defendidos, respectivamente 75 e 74%. Hugo e Diego Alves tiveram um aproveitamento ligeiramente abaixo: 71 e 68%.

Para avançar na análise dos dados, vamos dividir essas finalizações em três categorias: chutes de curta, média e longa distância.

Nos chutes mais próximos de sua meta, João Paulo é o grande destaque, 35% de defesas em chutes no alvo. Diego Alves, Hugo e Santos giram próximos de 27%.

Analogamente, João Paulo também se destaca nos chutes de média distância, com 67% de chutes no alvo. Santos e Hugo possuem números mais distantes, respectivamente 49 e 46%. Já Diego Alves possui um aproveitamento levemente superior, com 53%.

Já nos chutes de longa distância, a tendência é diferente. Santos é ligeiramente superior a Hugo e João Paulo. O paranaense possui 76% de chutes defendidos no alvo, enquanto os outros dois citados possuem respectivamente 75 e 73%.

Já Diego Alves possui desempenho inferior aos três goleiros, com 63% de chutes de longa defendidos.

Destrinchando os passes dos quatro goleiros

De maneira geral, os quatro goleiros goleiros possuem bom aproveitamento nos passes. Apesar de João Paulo ser o goleiro que mais os realizou corretamente. Diego Alves é o que possui o melhor aproveitamento com 91%. Seguido de Hugo com 90%, João Paulo com 88% e Santos com 86%.


Em relação aos passes de curta distância, João Paulo possuem números idênticos relativo ao número de passes corretos e o percentual de 89%. Diego Alves e Santos executam com menor frequência este fundamento e possuem aproveitamentos inferiores, respectivamente com 76 e 68% de passes corretos.

Em relação aos passes de longa distância, todos os quatro goleiros possuem aproveitamento muito próximos. Santos possui 96%, enquanto Diego Alves, Hugo e João Paulo ficaram com 95%. João Paulo foi o que mais executou esse fundamento em média, seguido de Diego Alves, Santos e Hugo.

Por fim, falando do passes longos, Diego Alves é o grande destaque. Apesar de passar com menor frequência em longas distância, possui aproveitamento superior aos outros três goleiros.

O que podemos extrair dos dados?

Através da amostragem de defesas dos quatro goleiros é possível afirmar que João Paulo foi de longe o que mais teve trabalho no período. O atleta atuou numa equipe bastante exposta, como foi o Santos. Como resultado teve um número bem acima de intervenções.

Apesar disso, Santos obteve um percentual geral de intervenções bem sucedidas levemente acima de João Paulo. Bem como teve números superiores de defesas de longa distância, devido a defesa mais sólida do Atlhético/PR, que forçou os adversários a realizarem chutes de longa distância.

Diego Alves e Hugo tiveram números inferiores. Tanto em relação ao número de intervenções, quanto em relação a assertividade das defesas. Atuando numa equipe que retém mais a posse e permite menos finalizações adversárias é natural o menor número de ações.

Em relação à assertividade nas defesas, a coisa muda de figura. O menor percentual de defesas no geral pode estar relacionado tanto às 9condições mais favoráveis dos adversários para finalizar, como também a erros técnicos de Diego e Hugo durante a temporada.

Com relação aos números sobre os passes dos quatro goleiros, foi possível notar que os goleiros rubro-negros se destacam em relação a Santos e João Paulo.

Diego Alves pelo aproveitamento nas bolas longas e Hugo nos passes mais curtos. Apesar de realizar muitos passes longos, Santos possui menor eficiência no fundamento do que os demais.

João Paulo possui bom aproveitamento nos passes curtos, porém seu desempenho cai em relação aos goleiros rubro-negros nos passes de longa distância.

O fato de atuar numa equipe tecnicamente mais qualificada também precisa ser levada em consideração para os melhores números de Diego Alves e Hugo Souza em relação a João Paulo e Santos.

Conclusão

É claro que em contextos diferentes os quatro goleiros poderiam render de forma diferente no período desde o início da temporada 2021

Mas no final das contas, dentro do campo interpretativo, uma simplificação na escolha do goleiro para a temporada 2022 pode ser feita: qualificar o nível de intervenções defensivas de Diego Alves e Hugo ou corrigir os possíveis problemas com bola de Santos e João Paulo.


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