Toró revela 'mentiras' do elenco para motivar Adriano Imperador no Hexa

Atualizado: 24/03/2026, 09:40
Toró (de costas) cumprimenta Adriano Imperador sorridente pelo Flamengo em 2009

A conquista do Hexacampeonato Brasileiro em 2009 é cercada de misticismo, mas os bastidores revelados pelo ex-volante Toró mostram que a arrancada final teve uma estratégia psicológica bem definida. Em entrevista ao MengoCast, Toró detalhou como o grupo rubro-negro "manipulava" o humor de Adriano Imperador para garantir que o craque entrasse em campo com sangue nos olhos.

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Segundo o ex-jogador, o elenco identificava quando o Imperador estava desmotivado e iniciava uma série de provocações baseadas em notícias falsas. O alvo preferencial era a disputa pela artilharia daquele ano contra Diego Tardelli, que vivia grande fase no Atlético-MG.

"A gente ficava pilhando muito ele. Dentro do ônibus a gente já ficava: 'ih, o Tardelli falou isso aqui'. Mas era mentira. A gente sentava atrás dele e falava: 'pô, tô vendo a entrevista do Tardelli, falou que vai fazer dois hoje e vai te passar'. Ele ficava puto".

A tática não se limitava ao rival mineiro. Antes de clássicos contra o Fluminense, o grupo inventava que jogadores adversários haviam dado declarações infelizes sobre o Imperador para "incendiar" o vestiário. Em uma dessas ocasiões, após ser provocado pelo zagueiro Digão, Adriano respondeu prometendo dois gols e cumpriu a promessa na vitória por 2 a 0.

A preleção que fez o elenco chorar

Um dos momentos mais marcantes dessa trajetória foi o duelo decisivo contra o Atlético-MG, no Mineirão. Toró conta que Adriano não estava em sua melhor semana física, tendo treinado poucas vezes antes da partida. No entanto, na hora da preleção, o Imperador assumiu o protagonismo de forma emocionante.

"Não tinha um que não chorava antes do jogo. Ele começou falando pra gente que era um imperador porque fez por onde, que nesses jogos difíceis ele matava no peito. Disse que sabia que não estava sendo exemplo pra nada, mas era pra jogar a bola nele que ele ia resolver. Falou: 'pode tocar que eu vou resolver o problema'."

O "mito" do treino e a liderança de peso

Toró também aproveitou para desmentir a ideia de que Adriano "miguetava" nos treinamentos. Embora o atacante tivesse períodos de ausência para recuperação, quando estava em campo, o nível de exigência era máximo.

  • Intensidade total: Toró afirma que, quando Adriano ia treinar, o fazia a mil, sem qualquer tipo de "miguezinho";
  • Liderança de vestiário: além de Adriano, o elenco de 2009 contava com líderes natos como Álvaro, Angelim, Petkovic, Maldonado e Léo Moura, que cobravam muito os mais jovens;
  • Exemplo em campo: Para Toró, era impossível não correr vendo ídolos como o Imperador se entregarem daquela forma nos jogos.

Cereja do bolo e o "GPS" de Léo Moura

Além de Adriano, Toró destacou a importância de outras peças para o título. Ele classificou o meia Zé Roberto como "fundamental" e afirmou que ele e Petkovic eram a "cereja do bolo" daquele time. Outro ponto destacado foi a facilidade que Adriano tinha para marcar graças aos cruzamentos de Léo Moura.

"O Léo tinha GPS. Na semana ele falava pro Adriano: 'vou te dar o gol, pode ficar tranquilo'. Cruzava com a mão", brincou Toró.

A união entre a qualidade técnica de veteranos, a irreverência dos jovens e as "pilhas" de vestiário criaram o ambiente perfeito para o Flamengo tirar uma diferença de pontos quase impossível e sagrar-se campeão em 2009.


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Lucas Tinôco
Autor
Acima de tudo Rubro-Negro. Sou baiano, tenho 28 anos e cursei Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Além do MRN, trabalhei durante muito tempo como ap...