
Gerrinson. R. de Andrade | Twitter: @GerriRodrian
Aquele jogo tornou-se mítico, uma referência para um futebol brasileiro. "O melhor jogo da vida", muita gente assim explica, o povo paga um pau danado.
E como um grandioso filme, tem grande elenco, Elano, Ganso, Thiago Neves, David, Borges, Leo Moura, Angelim, Renato Abreu, Ibson, Muricy, Luxemburgo e outros mais. Tem os protagonistas, Ronaldinho e Neymar, afiados em seus textos, brilhando para as câmeras em HD.
Tem bom enredo, virada épica, malandragem, suspense e humor. Tudo bem conduzido pelos editores do filme, num cenário de ótima aparência.
No filme de caubói, o índio precisa aparecer vestido de índio, o soldado de soldado, o xerife de xerife e com estrela no peito. Ou a credibilidade é zero. Batman sem roupa de Batman é Bruce Wayne, não é Batman.
Fossem outras as camisas, seria aquele comentário por uma semana e só. Não fosse o Flamengo ali, não seria mítico, não seria o jogo supra-sumo da celebração futebolística, não teria o selo de verossimilhança.
Pouca gente comentou, à época, mas somente o Flamengo poderia proporcionar essa simbologia/marca para a partida. Os atores, o enredo, efeitos sonoros, tudo bem contribui, mas é o figurino-ethos que dá credibilidade ao espetáculo. No futuro, gerações mais atentas e distanciadas farão a leitura devida.
O Flamengo, flamenguistas, é o clube-paradoxo do futebol mundial, é o epicentro, é o clube prometido, o lar dos escolhidos. Sua marca proporciona legitimidade a qualquer documento ou evento. Sua camisa é que faz o futebol ser vital para a o bem-estar social.
O Santos enobreceu também o seu papel de anfitrião e antagonista, vestido todo de branco, e cumpriu seu papel com dignidade. Perdeu, pois era assim que a humanidade esperava ver um uma partida-símbolo: o Flamengo é o vencedor natural de qualquer batalha.
Orra, é Mengo!