Sócio honorário do Flamengo, Mauro Cid admite participação em crimes

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, teve hoje seu acordo de delação premiada homologado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Isso significa que na prática Cid admite participação nos crimes pelos quais é investigado e cumpria prisão preventiva.
Com a homologação, Alexandre de Moraes permitiu que Cid deixe a cadeia e siga colaborando com as autoridades mediante liberdade vigiada com uso de tornozeleira eletrõnica.
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Para ter um acordo de delação premiada aceito, o investigado precisa atender a um dos cinco seguintes requisitos:
- identificar os demais integrantes da organização criminosa e os crimes por eles praticados
- revelar a estrutura hierárquica e a divisão de tarefas da organização criminosa
- ajudar na prevenção de novos crimes da organização criminosa
- recuperar total ou parcialmente o produto dos crimes praticados pela organização
Ou seja, o acordo de delação premiada pressupõe que o investigado admite a participação em uma organização criminosa. Mauro Cid é alvo de ao menos três inquéritos no Supremo que envolvem também Bolsonaro:
- o da tentativa de golpe de Estado com a invasão do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do STF no dia 8 de janeiro
- o da fraude nos cartões de vacinação de Bolsonaro e sua filha, além de Cid e sua própria família
- o da venda ilegal de presentes dados ao ex-presidente da República
Com o acordo de delação premiada, além da liberdade provisória, Cid pode receber um ou mais dos seguintes benefícios no encerramento dos processos contra ele:
- perdão judicial
- redução em até dois terços da pena
- substituição da pena de prisão por pena restritiva de direitos
Mauro Cid é sócio honorário do Flamengo desde 2020
Em 2020, o Conselho Diretor do Flamengo, presidido por Rodolfo Landim, propôs a concessão de um título de sócio honorário do Flamengo a Mauro Cid. O estatuto do Flamengo prevê que pode receber a honraria quem tem comprovados serviços prestados ao Flamengo e/ou ao esporte nacional. Entretanto, a gestão Landim nunca divulgou publicamente a justificativa para a concessão da homenagem a Cid.
O Conselho dos Grandes Beneméritos aceitou a indicação de Cid e outros políticos ligados a Bolsonaro, como o deputado Hélio Lopes, o então ministro Jorge Oliveira Francisco e o chefe de gabinete de Bolsonaro Célio Faria. Contudo, a gestão Landim sempre negou ter afinidade ideológica com o bolsonarismo e alegou que mantinha relações meramente institucionais com o presidente.
Com a prisão preventiva e o avanço das investigações contra Cid, a oposição chegou a cogitar tentar a expulsão do tenente-coronel do quadro de sócios do Flamengo, mas esbarrou no fato de o estatuto prever essa punição apenas para aqueles condenados por crimes graves. Desta forma, não está claro se a delação premiada muda alguma coisa nesse cenário.