Se pré-temporada é a hora de errar, o Flamengo fez muita pré-temporada nesse domingo


É complicado encontrar alguma coisa pra elogiar no time do Flamengo que foi derrotado no Maracanã no fim da tarde deste domingo. Se a escalação com dois volantes de destruição (Evertton destruindo jogadas adversárias e Allan destruindo as nossas) já colocou o time em desvantagem no meio de campo, coletivamente ele nunca se encontrou e em dois erros individuais de variado nível de bisonhice, a partida acabou sendo decidida.
Mas se não há nada para elogiar, é preciso que as críticas sejam feitas num nível proporcional ao contexto do time. A equipe na prática ainda se encontra em pré-temporada, o retorno do time principal foi precipitado por ordens do presidente do clube, no planejamento da comissão técnica era pra esses jogadores ainda estarem treinando no CT e não entrando em campo no Maracanã.
Isso justifica a atuação bisonha de Emerson Royal? Não, mas oferece contexto e atenuantes, mostrando o leve delírio que é torcedores já querendo Daniel Salles do sub-20 na frente dele após dois jogos na temporada. Léo Ortiz ganha passe livre pra forçar jogada e armar contra-ataque adversário? Com certeza também não, mas nós sabemos da qualidade do jogador e do que ele é capaz de fazer quando está preparado e em boas condições físicas e técnicas.
Até mesmo as decisões de Filipe Luís precisam ser analisadas levando em consideração que ele não vem usando a escalação que quer e sim a que pode. Ele não queria tirar Pedro no intervalo mas se viu obrigado por questões físicas. Ele não queria começar o jogo com apenas Carrascal possuindo atividade cerebral no meio de campo, mas não haviam outras opções. Ele certamente não queria colocar Allan de titular, porque ninguém que saiba quem é Allan iria querer isso, mas Pulgar só estava aguentando 45 minutos.
Então se a torcida quer crucificar os jogadores e a comissão técnica que ganharam quase tudo em 2025 e chegaram perto até mesmo de um título mundial, seria interessante esperar ao menos uma atuação ruim num jogo realmente importante, de um campeonato que valha mesmo alguma coisa, e não se desesperar por uma derrota infantil num torneio que a essa altura se tornou meramente recreativo.
Porque o Flamengo está sim oscilando, vários jogadores estão muito abaixo, Filipe Luís tem mesmo feito escalações que não oferecem o melhor que o Flamengo pode ter. Mas isso é muito mais circunstancial e fruto de um recálculo de rota – causado em grande parte pela pressão dos mesmos torcedores que agora reclamam das atuações do time profissional – do que sintomas de um time que chega mais fraco ou brigando por menos esse ano.
O ano, ou ao menos a parte do ano que realmente importa, começa pro Flamengo apenas nesta quarta-feira, com a primeira partida do Brasileirão, diante do São Paulo, e continua depois com a Supercopa, diante do Corinthians. Jogos que estarão, esses sim, valendo alguma coisa e servirão como a primeira oportunidade de analisar, com alguma seriedade, os rumos da temporada 2026. Antes disso, com todo respeito, o que aconteceu foi pré-temporada, recreação e desespero de torcedor maluco.














