Rodrigo Capelo: Em vez de liga, dirigentes criaram Clube dos 13 piorado

Nas últimas semanas, clubes brasileiros que compõem a Liga Forte Futebol e a Libra receberam parte dos adiantamentos pelos acordos para venda de direitos de transmissão do Brasileirão pelos próximos 50 anos. Crítico constante dos negócios, o jornalista Rodrigo Capelo voltou a detonar a decisão e prevê prejuízo aos clubes e ao futebol brasileiro.
Especialista em negócios do esporte, Rodrigo Capelo acredita que comprometer 20% dos direitos de transmissão pelos próximos 50 anos é um péssimo negócio. Isso porque os dirigentes estão avaliando apenas os benefícios de receberem cerca de R$ 100 milhões à vista, mas ignoram a possibilidade de arrecadar muito mais ao longo dos anos.
Leia mais: Jornalista explica como estádio próprio aumentaria arrecadação do Flamengo com bilheteria
Afinal, o pacote incluí não só os direitos televisivos dos clubes no Campeonato Brasileiro em solo nacional, mas também direitos internacionais. Além disso, as empresas terão direito de naming rights e placar à beira do campo.
“Do jeito que anda ,não haverá liga. Dirigentes e intermediários, os mesmos que um dia já usaram referências de Premier League e La Liga para exigências, estão criando bloquinhos para vender direitos de TV. Versões pioradas do Clube dos 13, com o agravante de anteciparem 50 anos de receitas de uma vez só.”, escreveu o jornalista.
Vale destacar que, apesar de ser um dos principais integrantes da Libra, o Flamengo optou por não vender parte de seus direitos TV. Ou seja, o clube tem a opção de negociar fatia menor ou esperar para vender futuramente.
Venda de direitos deve inviabilizar formação de liga no futebol brasileiro
Rodrigo Capelo também afirma que a venda de direitos de TV por dois blocos distintos inviabiliza a formação de liga para gerir o futebol brasileiro. Afinal, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) seria obrigada a escolher um dos projetos e a decisão da entidade deve ser manter a administração do Campeonato Brasileiro.
Dessa forma, o principal objetivo da discussão entre os clubes de mudar o calendário, implementar fair play financeiro e valorizar o produto do futebol brasileiro será deixado de lado. No fim, mais de um ano de debate se resumirá em venda de direitos.