Quando a insanidade da Copa América bateu, o maluquinho Luiz Araújo resolveu

14/06/2024, 10:02
Atualizado: 14/06/2024
David Luiz cumprimenta Luiz Araújo após gol contra o Grêmio, na vitória do Flamengo sobre o Grêmio pelo campeonato brasileiro 2024

Reclamar do calendário do futebol brasileiro é uma dessas atividades em que “chover no molhado” ainda não é a descrição correta, sendo mais algo como “chover no molhado em cima de uma estação de tratamento de água no continente submerso da Atlântida”.

Não paralisar o Brasileirão durante a Copa América é um absurdo, punir com desfalques os times que tem jogadores selecionáveis é uma falta de respeito, e a culpa recai tanto sobre os ombros da CBF, uma entidade que não sabe valorizar o próprio principal produto, que é o futebol brasileiro, quanto sobre os clubes, que são incapazes de se organizar, agem de maneira sempre individualista, e pagam o preço sendo reféns de uma confederação que só não é amadora na hora de arrumar dinheiro pra si mesma.

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O cenário então era aquele já esperado. Flamengo sem alguns de seus principais jogadores, como Arrascaeta, De La Cruz, Pulgar, Varela e Viña, quatro titulares e um reserva que se tornaria titular em virtude da lesão de outro jogador. Esse outro jogador, Ayrton Lucas, ainda era acompanhado no departamento médico por Allan, nosso eterno lesionado.

Surgia aí então um Flamengo de improvisações. Léo Pereira improvisado na lateral-esquerda, Léo Ortiz improvisado como volante, Wesley, mais uma vez, improvisado como jogador profissional, algo que sempre temos a sensação de que ele não parece ser. E como desgraça pouca é bobagem, o time não apenas começou visivelmente fraco e confuso, como perdeu, ainda no primeiro tempo, Cebolinha e Igor Jesus, ambos por lesões.

Mas foi exatamente no meio desse Polishop da desgraça esportiva – “Você vai perder jogadores por convocação. MAS NÃO É SÓ ISSO! Você também irá perder por lesão, inteiramente grátis, sem custos adicionais!” – que a sorte surgiu, na figura do grande nome da partida, o principal destaque do jogo, Luiz Araújo.

Oriundo da Major League Soccer e atualmente reserva no elenco de Tite, o ponta-direita é desses jogadores que tem sim a técnica, que possuem sim a vontade, que agradam o técnico pelo senso tático, mas pra quem normalmente parece faltar um processo mais inteligente de tomada de decisão. Luiz Araújo é o cara que dá o lindo drible e depois perde a bola tentando outro lindo drible, é o cidadão que pode dar o passe simples mas tenta o complicado, é o cara que talvez hoje em dia ainda entrasse num esquema de criptomoedas se estivesse no mesmo time que William Bigode.

Mas nesta quinta-feira, no Maracanã, nada disso aconteceu. Vestindo a tradicional capa rubro-negra do herói improvável, Luiz Araújo foi frio, eficiente e basicamente decidiu o jogo em dois belos chutes, um no primeiro e outro no segundo tempo. Uma atuação de gala, sua melhor com a camisa rubro-negra, e que garantiu os três pontos que a equipe precisava para, mesmo desfalcada, se manter na liderança do Brasileirão.

Uma posição que representa sim um desafio, com um elenco desfalcado, lesões e um calendário que parece pensado pra prejudicar exatamente os times que mais se reforçam. Mas se é isso que o Flamengo vai precisar enfrentar pra ser campeão, que assim seja. Que Luiz Araújo siga inspirado, que os reservas sigam sendo capazes de resolver e que o rubro-negro mostre que tem sim elenco pra ganhar tudo esse ano.


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