Pessoas já entraram em sala de cirurgia parecendo menos anestesiadas que esse time do Flamengo

Atualizado: 03/04/2026, 07:15
Ayrton Lucas em mais uma atuação perturbadora

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Parece que realmente era um pouco mais complicado. Não foi só afastar o Plata que a intensidade da equipe aumentou, não foi instituir concentração que viramos o Real Madrid, não foi só substituir um técnico campeão de tudo por um careca aleatório que conquistou a Taça Terceiro Lugar no Brasileirão do ano passado que todos os problemas do Flamengo nesse começo de temporada foram resolvidos.

Porque o que se viu nesta quinta-feira, diante do Bragantino, não foi apenas uma partida ruim, não pode ser descrito como um “tropeço”, não consegue ser encaixado na categoria do “jogamos bem mas as coisas não aconteceram”. O que a equipe rubro-negra aprontou em Bragança Paulista foi uma das atuações mais patéticas, displicentes, ridículas e apáticas do passado recente, mesmo levando em conta que esse esse ano já está sendo pródigo em atuações patéticas, displicentes, ridículas e apáticas. 

Claro que tivemos os mesmos suspeitos de sempre. Ayrton Lucas segue atuando menos como um lateral e mais como uma organização terrorista de um homem só, intimidando a população rubro-negra pelo uso do medo, das falhas de marcação e dos cruzamentos na arquibancada. Não é nem mais questão de não servir pra reserva, de precisar de reposição, é lance de realmente cobrar uma posição do Ministério da Justiça, do  Conselho de Segurança da ONU e talvez até daquele pessoal que enterrou o lixo radioativo em Goiás.

Mas não foi só ele. Pedro quase não viu a bola e quando viu aparentemente não reconheceu. Paquetá mais uma vez parece ter apostado em zero gols e zero assistências. Pulgar teve o que só pode ser classificado como um flashback da Guerra Civil Chilena de 1891 e desceu um soco na cara de um coitado do Bragantino. Chegamos num ponto em que a pessoa mais sensata, atenta e taticamente responsável do time era Emerson Royal, o que não costuma ser exatamente auspicioso.

O ataque foi inoperante, o meio não se encontrou, a defesa deixou espaços tão vastos que poderiam ser explorados por uma sonda espacial. E tudo isso diante de uma equipe que estava há seis jogos sem ganhar, era criticada por não marcar gols e com o Flamengo tendo, em tese, toda a pausa da data FIFA para treinar. Aparentemente a atividade treinada foi necromancia e a equipe de Leonardo Jardim ressuscitou com muito sucesso um morto que residia em Bragança Paulista.

E agora o que podemos esperar? Se a solução não era um “choque de ordem”, se o problema não era apenas Filipe Luís ser "amigão" demais, se faltava alguma coisa além de menos compreensão no vestiário, chegou a hora do treinador português mostrar o que mais ele tem pra oferecer. O futebol reativo vai reagir ou vai só apanhar? Os encaixes diretos vão encaixar ou ficar encaixotados? O homem cujo grande trabalho no Brasil foi chegar em terceiro vai se sustentar num time que espera chegar em primeiro?

Ainda é cedo pra avaliar o trabalho de Leonardo Jardim, assim como é cedo para tirar grandes conclusões sobre a temporada do Flamengo. Mas com um Brasileirão que começou em janeiro e uma tabela que já nos coloca com 8 pontos de distância do primeiro colocado, se a equipe rubro-negra não se organizar, pode acabar ficando tarde demais pra brigar pelo décimo título brasileiro.


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J. Luis Jr.
Autor
João Luis Jr. é jornalista, flamenguista desde criança e já viu desde Walter Minhoca e Anderson Pico até Adriano Imperador e Arrascaeta, com todas as alegrias e traumas correspondentes. Siga João Luis Jr no Su...