O Fla de Dome no divã de um bar

10/09/2020, 19:19
Atualizado: 12/03/2025
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Definitivamente constato que os torcedores estão precisando ir no divã. Deve ser a pandemia, que deixou todos ansiosos

Após um longo período sem dar as caras em locais públicos resolvi ver o Fla x Flu com um amigo em um bar perto de casa. Protocolo funcionando. Termômetro e álcool em gel logo na entrada. Mesas afastadas, e como chegamos cedo, não havia muitas pessoas.

O garçom logo pergunta se hoje teria gol do Gabigol ou se o artilheiro começaria novamente no banco? Afinal Dome é imprevisível, conclui ele. Respondo que Dome vai com Gabigol de titular. Só que a incerteza e as fofocas da internet logo se espalham. Surge uma escalação com Gabigol no banco. Logo escuto na mesa da frente: “Esse Abel Catalão está de brincadeira. Vai deixar novamente o Gabigol no banco…”

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Fico aflito e procuro no Twitter a escalação, que informa Gabigol de titular, mas sem nenhum atacante de lado com características de velocidade, padrão que Dome parecia não abrir mão. Surpresa. O jogo começa e não é que o Flamengo se apresentava muito melhor que as últimas três decisões contra o rival.

Olho no grupo de WhatsApp dos amigos e o comentário é que: “se o Dome não inventar o Flamengo goleia o Fluminense”. Afinal “a qualidade individual dos jogadores é muito superior aos adversários.” Eu provoco: “Verdade, esse time não precisa de técnico, até Renato e Vanderlei disseram que ganhariam tudo com a qualidade desse elenco.”

Olho ao redor, “estico os ouvidos”, e percebo comentários negativos sobre o rodízio que Dome tem promovido. Penso comigo. Dome rodou o time tanto quanto Jesus fazia em algumas partidas no ano passado. Troca no máximo quatro atletas. Inclusive, o time titular, campeão da Libertadores, só atuou conjuntamente oito vezes sob o comando de Jesus em 2019. Além do que o calendário desse ano será muito mais intenso do que o do ano passado, então natural a necessidade de rodízio.

Gol do Flamengo. Torcida grita e levanta. Por um segundo parece que todos haviam esquecido da pandemia. Detalhe, cruzamento de Isla e conclusão de Felipe Luís, após rebote do goleiro do Fluminense, em cabeceada de Arrascaeta. Dois laterais no último terço do campo, e cinco jogadores na área do Fluminense, objetivando concluir a jogada. Um dos fatores que talvez explique o Flamengo como o time que mais criou chances claras no Brasileiro 2020.

Todavia, em uma mesa mais à frente, um rubro-negro comenta que o Fluminense estava sentindo a falta de Evanilson, e que o Flamengo estava se “aproveitando” dessa deficiência, mas tal fator não era virtude de Dome, mas deficiência do adversário. Percebo claramente que há muita má vontade com a análise do trabalho de Dome.

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Em seguida mais um gol do Flamengo, após rebote em cruzamento de Arrascaeta, a bola sobra limpa para Gabigol aumentar o placar. Flamenguistas eufóricos. Escuto de uma mesa ao lado: “Esse time joga demais. É só o técnico não inventar moda…”

Definitivamente constato que os torcedores estão precisando ir no divã. Deve ser a pandemia, que deixou todos ansiosos. Se fosse Zagallo já teria dito: “Vocês vão ter que me engolir.” Porém o catalão é educado, talvez por isso os torcedores peguem no pé, afinal todos se amarravam na marra do JJ. E não tem nada de gritaria na beirada do campo, aí sim um incômodo ainda maior da torcida, que confunde intensidade, raça e disposição, com gestos e berros cobrando os jogadores. E não é que Dome está desfazendo esse mito popular.

Mal comparando o que não se deve comparar, o Flamengo de Dome, em menos tempo de treinamentos que Jorge Jesus teve em seu início, possui resultados melhores e apresenta uma evolução tática constante. Contudo natural haver uma oscilação, ante o pouco tempo para treinamentos, em virtudes de jogos a cada três a quatro dias.

Porém para a maioria da torcida do Flamengo a vitória vem pelas individualidades, mas as derrotas são culpa do técnico. Vai entender. Vamos em frente Dome, estou com você.


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Allan Titonelli
Autor
Allan Titonelli é rubro-negro, amante do futebol, gosta de jogar uma pelada, assistir partidas, resenhas esportivas ou debater com os amigos sobre “o velho e violento esporte bretão”. Escreveu, ao lado de Daniel Giotti, o livro “19 81 – Ficou Marcado n...