Mundo Bola Tático #8 - Como Andreas Pereira pode ser essencial para Paulo Sousa

02/03/2022, 15:57
Atualizado: 17/03/2025
Como Andreas Pereira pode ser essencial para Paulo Sousa

Em seus primeiros testes com Paulo Sousa, Andreas Pereira já demonstrou possuir um indicador de desempenho essencial ao modelo do novo técnico do Flamengo.

O volante belga vem demonstrando grande capacidade de acionar meias e atacantes pelo corredor central, com passes verticais. Esse tipo de passe consegue quebrar linhas de marcação de forma mais rápida e tem como objetivo principal iniciar ou concluir a entrada no último terço adversário.

Vamos abordar como Andreas Pereira executa esse fundamento e porque ele é essencial para o modelo de jogo de Paulo Sousa.

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Andreas Pereira e os passes verticais no corredor central

Desde que chegou ao Flamengo em agosto 2021, Andreas já vinha chamando a atenção pela verticalidade do seu jogo. Meia de origem, o atual volante rubro-negro tem muita facilidade para encontrar janelas em jogo interior, ou seja, espaços entre a linha de meias adversários.

Como resultado, consegue acionar o setor ofensivo nas costas dos volantes adversários, bem como na última linha. A princípio, meias e atacantes são os jogadores que recebem este passe, todavia, volantes e até laterais podem ser acionados através de infiltrações.

Dentre os principais parâmetros individuais para um volante conseguir realizar passes verticais na janelas do corredor central, destaca-se quatro aspectos:

  1. Domínio orientado após receber passe da linha de defesa. Por exemplo: caso receba de costas para o gol adversário, rapidamente se posicionar para se desmarcar do adversário e gerar linhas de passe;
  2. Mapeamento de espaços. Capacidade de conseguir enxergar no campo as possíveis linhas de passe tanto a frente, quanto em relação às suas costas. O mapeamento precisa ser feito antes de ser acionado, assim como após receber a bola e começar a progredir no campo;
  3. Qualidade técnica para conseguir ter assertividade em ações de risco elevado;
  4. Timing correto para atacar a profundidade adversária com o passe. Em especial nos momentos em que o bloco adversário esteja subindo pressão.

Contudo, além do passador precisar ter consigo esses características bem desenvolvidas, o coletivo precisa gerar dinâmicas para que os passes verticais possam ser viáveis. Como, por exemplo, dinâmicas que acionem o passador como homem livre, apoios frontais de meias e atacantes, desmarque de ruptura e de profundidade.

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A importância dos passes verticais no corredor central no modelo de Paulo Sousa

Em contrapartida aos dois últimos técnicos do Flamengo (Rogério Ceni e Renato Gaúcho), que privilegiavam uma posse mais longa e com passes laterais, Paulo Sousa enxerga suas equipes de forma muito mais objetiva em organização ofensiva.

Ceni e Renato, muita das vezes, retinham majoritariamente a posse “em U”. Ou seja, passes nesta sequência: Lateral-Direito —> Zagueiro pela direita –> Zagueiro pela esquerda –> Lateral-Esquerdo. Formando um semicírculo na trajetória entre os passes até encontrar um companheiro melhor posicionado.

Já o Mister busca utilizar mecanismos para que a equipe consiga ser mais vertical e rapidamente chegar a meta adversária. Após iniciar a 1ª fase de construção, os volantes são responsáveis tanto por realizar a variação entre os corredores laterais, quanto por encontrar brechas pelo corredor central.

Caso o volante não consiga realizar passes verticais no corredor central, a equipe pode perder fluidez na progressão no campo. Principalmente através dos passes laterais, que podem fazer com a equipe tenha uma posse mais longa e menos objetiva.

Além disso, isso faz com que a equipe seja mais previsível. Devido ao esperado acionamento dos pontas e laterais pelo lado do campo e, dessa forma, facilitando a marcação adversária.

Andreas Pereira é o volante mais vertical do Flamengo

Dentre os quatro volantes mais utilizados por Paulo Sousa, Andreas é o que possui este fundamento melhor estabelecido no seu jogo. O atleta tem maior naturalidade para verticalizar o jogo pelo corredor central e encontrar Gabi, Arrascaeta, Bruno Henrique e Pedro em condições de gerar uma situação de finalização.

João Gomes evoluiu nesse quesito com a chegada de Paulo Sousa, mas ainda não possui tanta facilidade para ser vertical nos passes por dentro.

Já Arão e Thiago Maia não possuem essas características: enquanto o histórico camisa 5 da Gávea se destaca pelas diagonais longas e pela variação de corredor, por outro lado o volante ex-santista tem como ponto forte a condução com a bola em transições ofensivas.

Confira alguns lances que ilustram a capacidade de Andreas acionar a entrada no último terço com passeis verticais:

Enfim, no fim é importante citar que o volante dentro do modelo de Paulo Sousa precisa de outras valências além dos passes verticais no corredor central. Andreas ainda precisa evoluir em outros aspectos para performar melhor.

É possível enxergar que o jogador possa ser utilizado como uma peça importante na fase ofensiva do Flamengo em 2022. Principalmente para furar blocos defensivos mais fechados.


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