Mourinho levanta muro de condicionantes para falar de racismo contra Vini Jr e futuro de Prestianni no Benfica

Atualizado: 01/03/2026, 12:22
José Mourinho agarra Vini Jr e discute com ele com olhos arregalados enquanto Vini está com braços abertos e de costas em após racismo de Prestianni em Benfica x Real Madrid na Champions League

O caso de racismo envolvendo o atacante Gianluca Prestianni e o brasileiro Vinicius Júnior ganhou um contorno burocrático e cauteloso neste domingo (1º). Em uma coletiva marcada pelo uso exaustivo de condicionantes, o técnico do Benfica, José Mourinho, evitou condenações antecipadas e condicionou a permanência do argentino no clube a um veredito final da UEFA.

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O ultimato de Mourinho e o labirinto dos "ses"

O técnico José Mourinho afirmou que repudia qualquer tipo de discriminação e prometeu que, se Prestianni for culpado de racismo contra Vini Jr, sua trajetória no Benfica sob sua gestão acaba imediatamente.

O treinador recorreu à Declaração Universal dos Direitos Humanos para defender a presunção de inocência do atleta argentino hoje.

"Eu continuo com o 'se'. Se o jogador for efetivamente culpado, não vou voltar a olhar para ele como tenho olhado e comigo acabou, mas tenho de meter muitos 'ses' à frente", enfatizou Mourinho.

Ele repetiu a palavra "se" por diversas vezes durante sua fala, utilizando-a como um escudo para não abandonar o jogador antes da hora, ao mesmo tempo em que tenta preservar sua própria imagem de ética inegociável.

Crítica à UEFA e presunção de inocência

Mourinho não escondeu sua irritação com a suspensão provisória aplicada pela UEFA, que tirou Prestianni do jogo de volta contra o Real Madrid - partida em que Vini Jr. brilhou e selou a classificação merengue. Para o português, a entidade "descobriu um artigo" para punir o atleta sem respeitar o artigo 11 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que trata da inocência até que se prove o contrário.

A postura de hoje contrasta com a agressividade da primeira coletiva após o incidente em Lisboa, quando Mourinho sugeriu que os problemas "sempre com o mesmo (Vinicius)" indicavam que algo não estava certo.

Agora, o tom mudou para uma neutralidade técnica, onde o treinador se recusa a "vestir a camisa vermelha ou a branca", aguardando o desfecho jurídico para decidir o futuro da joia argentina no Estádio da Luz.

Troca de camisas sob fogo cruzado

O comandante também avaliou a polêmica de Sidny Cabral, que pediu a camisa de Vini Jr. após a eliminação. Mourinho considerou o gesto "evitável" devido ao contexto hostil da semana, embora não tenha proibido a prática comum entre atletas.

O recado final de Mourinho foi claro: ele não será o juiz de Prestianni, mas será o carrasco de sua carreira no Benfica caso a acusação de racismo se confirme.


Lucas Tinôco
Autor
Acima de tudo Rubro-Negro. Sou baiano, tenho 28 anos e cursei Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Além do MRN, trabalhei durante muito tempo como ap...