Manifesto com assinatura de Márcio Braga sai em defesa de Eduardo Bandeira de Mello

A próxima segunda (16) promete ser determinante para uma das figuras mais importantes do Flamengo nos últimos anos: Eduardo Bandeira de Mello.
Presidente do Rubro-Negro entre 2013 e 2018, Bandeira será julgado pelo Conselho de Administração do clube e pode perder direitos políticos caso o parecer seja desfavorável a ele.
O motivo é uma declaração do ex-presidente, que afirmou ter “quase certeza” de que a tragédia que vitimou 10 garotos no Ninho do Urubu não aconteceria caso ele estivesse no comando.
Os que defendem a punição a Eduardo Bandeira de Mello se baseiam em dois artigos do estatuto rubro-negro:
- 24, parágrafo XI: “Abster-se de usar qualquer meio de comunicação para veicular expressões desonrosas contra o FLAMENGO, ou os membros de seus Poderes, em campanha eleitoral, ou em razão de suas funções;”
- 49: “Veicular expressões desonrosas, por qualquer meio de comunicação, contra o FLAMENGO, ou os membros de seus Poderes, em campanha eleitoral, ou em razão de suas funções.”
O artigo 49 prevê duas punições: suspensão por até 360 dias ou eliminação do quadro social.
Manifesto em defesa de Eduardo Bandeira de Mello
Há, contudo, uma frente encabeçada, entre outros, por Márcio Braga e Kleber Leite, ambos ex-presidentes rubro-negros, que se movimenta para tentar conseguir a absolvição de EBM.
Em manisfesto, esse grupo correlaciona as intenções da denúncia à momentos escuros da política brasileira.
Na mesma linha, o jornalista Juca Kfouri reclama ao fato de que Rodolfo Landim, atual presidente do Flamengo, foi denunciado pelo Ministério Público Federal em esquema de gestão fraudulenta e envio ilegal de dinheiro para o exterior. Ele considera não haver justifica para um Conselho considerar a fala de Bandeira um caso mais grave e passível de suspensão de direitos.
Soma-se a isso o fato de o inquérito ser presidido por Túlio Rodrigues, primo de Landim. Para o jornalista, essa abordagem corresponde à mesma de um tribunal de exceção.
Diante disso, o manifesto defende os pilares da democracia e afirmam que uma punição a EBM seria uma “mancha na história do Flamengo”.
Confira a íntegra da nota assinada, entre outros, pelos ex-presidentes rubro-negros Márcio Braga, Helinho Ferraz, Kleber Leite e de Walter Oaquim, Sergio Veiga Brigo, Wagner Bittencourt (vice-presidente do BNDS), Marco Aurélio Assef, Walter Monteiro e pelos senadores Randolfe Rodrigues (REDE-AP) e José Reguffe (PODEMOS-DF):
“O FLAMENGO PEDE PAZ
O ex-presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Melo encontra-se sob ameaça de injusto processo, que pode resultar em sua SUSPENSÃO do quadro social do Clube, do qual faz parte desde 1978. Diante da gravidade desse fato, nós – associados, torcedores,amigos e admiradores de seu trabalho pelo Flamengo – tornamos público o seguinte manifesto:
– O Clube de Regatas do Flamengo é motivo de orgulho para seus associados e seus milhões de torcedores, gente de todas as cores, de todas as classes e de todos os lugares. Um Clube que há 125 anos sintetiza o Brasil, com uma trajetória marcada por grandes conquistas. Hoje, o Flamengo vive um dos melhores momentos de sua história: saudável economicamente, retomou o caminho das grandes conquistas.
– Durante seis anos (2013 a 2018), coube a Eduardo Bandeira de Mello estar à frente da gestão. Nesse período, o Flamengo passou por importantes mudanças, incluindo uma profunda reestruturação administrativa e financeira, que colocou o Clube em outro patamar. A Administração, marcada pela lisura, passou a ser apontada como padrão a ser seguido pelos demais clubes brasileiros. Agora,para a surpresa de todos, encontra-se em curso um processo que pode culminar com a exclusão de Eduardo Bandeira de Mello do quadro social do Flamengo. A partir da iniciativa de um pequeno grupo de associados, os Membros do Conselho de Administração foram instados a deliberar sobre um pedido de suspensão dos seus direitos políticos. Qual teria sido a grave infração cometida por Eduardo Bandeira? A manifestação de opinião em entrevista para um veículo da imprensa.
– Ao longo de sua história, o Flamengo e seus associados criaram mecanismos de governança que permitiram a convivência de pessoas de diferentes origens e estratos sociais. As eleições no Clube sempre foram festas da Democracia, momentos em que as diferentes visões eram submetidas ao voto. Fechadas as urnas, apurado o resultado, os acalorados debates tornavam-se coisas do passado, e o futuro do Clube virava a prioridade de todos. A conquista do poder nunca foi vista como instrumento para perseguições ou vinganças contra adversários. Pois essa tradição de convivência democrática pode ser quebrada com a suspensão de um ex-presidente do Clube, cujos serviços prestados são reconhecidos por todos. Seu “crime” teria sido a livre manifestação de sua opinião para um órgão de imprensa. Temos, então, uma Instituição como o Flamengo prestes a conspurcar dois pilares do Estado Democrático de Direito: a livre expressão do pensamento e a livre atuação da imprensa. Um precedente que pode, no futuro, fazer com que dirigentes do Clube passem a evitar contatos com jornalistas, uma vez que estariam sob risco de punição. Isso resultaria em perda de transparência das gestões e de diálogo com os milhões de torcedores, espalhados pelo País.
– Uma punição ao ex-presidente Eduardo Bandeira, além de injusta, seria equivalente a um arbitrário exílio, um desterro que roubaria parte da sua identidade, já que o Flamengo é uma das maiores paixões da sua vida. Seria uma mancha na história do Flamengo. A partir do momento em que um ex-presidente pode ser banido sem ter cometido nenhuma ilegalidade, TODOS os associados estarão sujeitos a penalidades em função de manifestação de opinião, o que caracteriza censura. Quem ousar questionar, peticionar, protestar, reclamar poderá vir a ser vítima de um processo. E aí, acaba a democracia, e começa a tirania.
Por isso, em nome da Democracia interna do Clube de Regatas do Flamengo, defendemos a absolvição de Eduardo Bandeira de Mello no processo que pode culminar com seu banimento. O Flamengo não merece ter essa mancha em sua história. O Flamengo precisa de PAZ.”