Plot twist? Boto sugeriu demissão de Filipe Luís e encara forte rejeição de jogadores e funcionários do Flamengo

Atualizado: 04/03/2026, 10:04
José Boto isolado no campo do Maracanã antes de Flamengo x Racing pela Libertadores 2025

A demissão de Filipe Luís expôs uma fratura exposta no departamento de futebol do Flamengo. Enquanto a narrativa inicial apontava para uma decisão exclusiva da presidência, novos bastidores revelam que o diretor de futebol, José Boto, foi o mentor da saída do ídolo.

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No entanto, o movimento que deveria consolidar sua autoridade gerou o efeito oposto: o dirigente agora enfrenta uma rejeição sem precedentes de jogadores e funcionários, com um clima que beira o insustentável no Ninho do Urubu.

O mentor da queda: Boto sugeriu a saída de Filipe Luís

Embora o anúncio oficial tenha partido do presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap), a saída de Filipe Luís foi uma sugestão levada pelo próprio José Boto ao mandatário, conforme informação de Mauro Cezar Pereira. O diretor português reportou a Bap que não via mais possibilidade de evolução sob o comando do técnico e, após discutirem os pontos da crise, selaram a dispensa.

A condução do processo, no entanto, é o que mais gera incredulidade. Boto comunicou o desligamento a Filipe Luís em uma conversa de menos de um minuto no vestiário do Maracanã, logo após o técnico ter projetado a final de domingo em entrevista coletiva.

Na ocasião, o diretor alegou que a decisão era uma ordem da presidência com a qual ele não concordava, apesar de já estar participando ativamente das negociações para trazer Leonardo Jardim dias antes.

Distanciamento e 'trabalho raso': a barreira entre Boto, atletas e funcionários

Soma-se isso àquela que é a maior queixa do elenco rubro-negro em relação a José Boto: a postura de isolamento adotada pelo português no cotidiano do CT. Segundo o GE, os jogadores criticam o fato de o diretor evitar o contato direto com o grupo, mantendo uma distância que incomoda desde o ano passado. 

Essa ausência de diálogo é especialmente sentida em momentos de crise; na perda do título da Supercopa para o Corinthians, por exemplo, o fato de Boto não ter descido ao campo no pós-jogo virou motivo de forte questionamento entre os atletas.

Internamente, a comunicação do dirigente é vista como um problema crônico. Funcionários descrevem o trabalho do português como "raso", e a promessa de uma revolução no setor de scouting é contestada pela falta de assertividade nas contratações de alto investimento. 

A reunião realizada na última terça-feira apenas agravou esse cenário de desconexão. Em um raro momento de fala direta com o grupo, Boto utilizou cerca de dois minutos para dividir a culpa pela saída de Filipe Luís com os jogadores, acusando parte do elenco de priorizar questões salariais em detrimento do desempenho.

O discurso foi recebido com um silêncio absoluto e revolta, com os atletas deixando o auditório sem sequer responder ao dirigente.

Atualmente, José Boto balança no cargo. O presidente Bap ainda segura a mão do português, mas a interferência direta da presidência no futebol aumentou nos últimos meses diante de um ambiente que se tornou quase impraticável. 

Com o acerto com Leonardo Jardim previsto para esta quarta-feira (4), o Flamengo tenta estancar a crise, mas a ferida entre o diretor e os jogadores segue aberta.


Lucas Tinôco
Autor
Acima de tudo Rubro-Negro. Sou baiano, tenho 28 anos e cursei Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Além do MRN, trabalhei durante muito tempo como ap...