Gerson ataca Flamengo e cita 'jogo sujo' em processo de R$ 42 milhões

Atualizado: 02/04/2026, 09:09
Gerson se lamenta após chance perdida em Flamengo 2x0 Cruzeiro pelo Brasileirão 2026

A disputa judicial entre Gerson e Flamengo ganhou capítulos agressivos nesta quarta-feira. O meia do Cruzeiro protocolou sua defesa contra a ação de R$ 42,7 milhões movida pelo Rubro-Negro, que alega quebra de contrato na saída do atleta para o Zenit. Na peça, a defesa classifica a postura da diretoria como um ato de má-fé e pede a extinção imediata do processo.

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Os advogados de Gerson sustentam que o contrato foi encerrado com o pagamento da multa pelos russos. A estratégia é focar no item 6.2 do acordo, tentando convencer a Justiça de que o Flamengo confessou o cumprimento do contrato ao aceitar os valores da transferência na época.

"O item 6.2 - e essa é a pedra angular da lide - estabeleceu que, em caso de pagamento integral da cláusula indenizatória desportiva (exatamente como ocorreu no caso em tela – fato incontroverso, pois confessado pelo próprio CRF7), NÃO ESTABELECEU QUALQUER MULTA (CLÁUSULA PENAL). E O MOTIVO É ÓBVIO: QUANDO A MULTA É PAGA O CONTRATO É CUMPRIDO, E NÃO INADIMPLIDO", dizem os advogados.

Para tentar anular o pedido de demissão manuscrito, que é a prova central do Flamengo, Gerson alega que foi induzido ao erro pelo Departamento de Recursos Humanos. O meia diz que assinou o documento sem perceber a redução da multa rescisória e foi orientado de que seria apenas uma "praxe burocrática".

"Em 03/07/2025, Gerson foi orientado pelo seu pai, o Sr. Marcos Antônio dos Santos, a assinar um papel manuscrito pelo próprio Sr. Marcos, que, por sua vez, foi orientado pelo Departamento de Recursos Humanos do Flamengo. Segundo o Flamengo, aquele papel manuscrito de pedido de demissão seria 'mera praxe interna do clube para cumprir questões burocráticas'e que não prejudicaria em nada a rescisão amigável e o acordo celebrado entre o CRF, o clube Russo e o próprio atleta", escreveu a defesa.

O meia ainda alega que assinou diversos instrumentos contratuais sem data, confiando na instituição, e agora se diz traído. Além de negar o débito milionário, a defesa contra-ataca e exige R$ 6,3 milhões em bonificações de luvas que supostamente nunca chegaram ao bolso do atleta.

"Aliás, Gerson assinou vários outros documentos e instrumentos contratuais sem data e na mais pura confiança ao CRF. O Atleta nunca imaginou que pudesse ser traído pelo clube que, juntamente com os seus companheiros, ele tanto ajudou."

Gerson sustenta narrativa de perseguição

A defesa pinta um cenário de perseguição, afirmando que Gerson virou alvo de hostilidades orquestradas e que o silêncio do jogador nas redes sociais seria uma forma de evitar o "matadouro" público criado pelo Flamengo antes do embate nos tribunais.

"Gerson vem sofrendo como um cordeiro mudo levado ao matadouro Nenhuma entrevista sobre o assunto; nenhum comunicado, nenhuma nota à imprensa; e nenhum comentário em suas redes sociais. Gerson apenas disse: 'no momento certo contarei umas verdades”'", diz a defesa. 

Por fim, a contestação ataca diretamente o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista. Os advogados questionam o "timing" da ação, sugerindo que o processo é uma retaliação pelo fato de Gerson ter fechado com o Cruzeiro.

"Gerson descobriu que está sendo vítima de uma sede de vingança do atual Presidente do Flamengo que não suportou o fato do Atleta ter sido contratado e repatriado do futebol russo ao Brasil justamente pelo clube Cruzeiro Esporte Clube. Quiçá porque o atual Diretor de Futebol do Cruzeiro (Sr. Bruno Spindel) foi demitido do Flamengo pelo atual Presidente Rubro-negro. E a peça exordial não foi tímida em revelar essa sede de vingança."

"E o curioso: por que o CRF só ajuizou a presente demanda quando o Atleta retornou da Rússia? Todos sabem os motivos: vingança, jogo sujo extracampo quiçá para prejudicar não só o Atleta como também o seu atual Clube Empregador."

Entenda o processo do Flamengo contra Gerson

O Flamengo cobra R$ 42.750.000 na Justiça por entender que Gerson rompeu o contrato de imagem unilateralmente ao se transferir para a Rússia em 2025. O vínculo original era válido até 2030 e o clube exige o pagamento da cláusula penal prevista no documento assinado pelo próprio jogador.

A ação inclui a empresa FGM Sports, de Marcão, pai do jogador, e foca no pedido de demissão formalizado pelo atleta. Para o Rubro-Negro, o documento é prova irrefutável da quebra do acordo financeiro de imagem que havia sido antecipado ao meia em renovações anteriores.

O clima é de guerra total na 25ª Vara Cível do Rio de Janeiro. Enquanto a defesa do meia tenta transformar o caso em perseguição política para fugir da conta, o Flamengo mantém o foco na proteção do seu patrimônio e na validade jurídica dos contratos assinados no Ninho.


Matheus Celani
Autor
Jornalista graduado no Centro Universitário IBMR, 23 anos, natural do Rio de Janeiro. Amante da escrita e um completo apaixonado pr futebol, vôlei e esportes olímpicos.