Flamengo faz em Brasília test drive de opção de gestão para o Maracanã

31/10/2023, 10:51
Atualizado: 09/11/2023
Torcedor com bandeira do Flamengo no gramado do Estádio Mané Garrincha. Flamengo faz no estádio um test drive da gestão do Maracanã

Os recém-revelados termos do edital de concessão levaram muita gente dentro do Flamengo a reconsiderar a conveniência de que o clube assuma diretamente a gestão do Maracanã pelos próximos 20 anos.

Uma alternativa que permitiria ao Flamengo continuar a jogar no Maracanã enquanto avança no sonho do estádio próprio seria ser inquilino de outro consórcio. E a principal opção neste sentido é justamente com os parceiros para realizar o jogo contra o Santos, nesta quarta, em Brasília.

Quem levou o jogo para Brasília foi o Grupo Metrópoles, dono do principal veículo de comunicação atualmente na capital federal. O grupo, comandado pelo ex-senador Luiz Estêvão, também já anunciou que formará um consórcio com a Arena BSB, que administra o Mané Garrincha desde 2019, para disputar a concessão por 20 anos do Maracanã.

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A princípio, a concessão seria disputada por dois grupos, um consórcio unindo Flamengo e Fluminense, que vêm gerindo o Maracanã por meio de termos temporários desde 2019, e outro formado pelo Vasco e pela W Torre, responsável pelo estádio do Palmeiras. Entretanto, o grupo de Brasília anunciou neste mês que pretende disputar a concessão.

Não há nenhum anúncio oficial de entendimento do grupo com o Flamengo ou qualquer outro clube. Porém, o edital prevê que os candidatos devem apresentar uma garantia mínima da realização de 25 jogos anuais de Série A no Maracanã. Isso exigiria um contrato assinado com ao menos um clube.

Inquilino no Maracanã, Flamengo poderia investir em estádio próprio

O presidente Rodolfo Landim teve mais de uma reunião recente em Brasília com o Grupo Metrópoles. A princípio, seria para tratar do jogo contra o Santos e outras partidas no Mané Garrincha. Entretanto, também podem ter discutido a alternativa para a licitação do Maracanã.

Outro fator que aproxima o Flamengo do consórcio é o fato que desde 2021 o Mané Garrincha se chama oficialmente Arena BRB Mané Garrincha, por meio de um contrato de naming rights com o banco que também é parceiro do Flamengo.

Um dos fatores negativos para a administração direta do Flamengo no Maracanã é que, pelos termos da licitação, o clube teria que investir para realizar 30 obras diferentes nos 3 primeiros anos da concessão de 20 anos. Isso apenas em intervenções obrigatórias.

Sem contar eventuais mudanças que o Flamengo queira promover, como implantação de um gramado artificial ou retirada de cadeiras da arquibancada. O consórcio Metrópoles-Arena BRB já havia se declarado disposto a investir R$ 100 milhões em obras no Maracanã antes mesmo do anúncio dos termos da licitação.

Além disso, o edital prevê que a concessionária deve garantir a realização nos mesmos termos para todos os clubes grandes do Rio de partidas no Maracanã. Ou seja, caso ganhe a licitação, o Flamengo arcará com as despesas diárias estádio, mas terá que cedê-lo ao Vasco mediante pagamento de aluguel. Uma alternativa seria passar a ser o inquilino do consórcio Metrópoles-Arena BRB.

Alternativas

Dessa forma, o Flamengo teria menos possibilidades de arrecadação com o Maracanã. Mas teria um espaço garantido para jogar enquanto avança na construção do seu estádio próprio. Na semana passada, a nomeação do novo presidente da Caixa foi vista pelo clube como sinal verde para avançar nas negociações da compra do Gasômetro.

O investimento para a construção de um novo estádio, porém, não faz sentido simultaneamente a um esforço para reformar o Maracanã.

Nesse sentido, o jogo em Brasília pode ser um modelo de como seria o Flamengo sendo inquilino do grupo Metrópoles-Arena BRB na gestão do Maracanã.

Além disso, um eventual acordo poderia manter a realização de alguns jogos por ano na capital. Lá, o Flamengo tem uma grande torcida, e pode ser opção em situações como a atual, onde o gramado do Maracanã precisa ser preservado.


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