Flamengo contra-ataca na Justiça e pede extinção de processo de R$ 100 milhões por racismo

O Flamengo decidiu não apenas se defender, mas contra-atacar judicialmente após ser alvo de uma ação civil pública movida pela entidade Educafro, que cobra uma indenização de R$ 100 milhões por supostas práticas racistas. Em petição enviada à 34ª Vara Federal do Rio de Janeiro, o departamento jurídico rubro-negro classificou a iniciativa como "oportunista, impertinente e manifestamente atentatória à boa-fé".
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Segundo a "ESPN", o clube alega estar sendo transformado em "bode expiatório de um fenômeno social amplo e complexo" e pede não só a extinção do processo, mas também a condenação da entidade por litigância de má-fé.
Defesa do Flamengo
O principal argumento do Mais Querido é a seletividade da ação. Os advogados do clube questionam o motivo de apenas o Flamengo ter sido processado dentro de uma tese de "racismo estrutural no futebol brasileiro", enquanto a CBF, federações e outros clubes não foram citados.
"Essa seletividade, para além da tentativa de atrair os holofotes para si ao escolher o Flamengo como alvo, revela caráter discriminatório da própria ação, direcionada injustificadamente contra uma única agremiação", aponta a defesa rubro-negra na petição.
Para o clube, a manobra da Educafro desnatura a finalidade da ação civil pública (que deveria proteger interesses coletivos) e tenta transformar o Flamengo em um "inimigo institucional". A defesa ressaltou ainda que a governança do clube inclui uma cultura de não discriminação, citando cartilhas, cursos e seminários antirracistas realizados recentemente.
Origem do processo
A ação da Educafro foi protocolada em setembro do ano passado, motivada inicialmente por declarações do diretor da base, Alfredo Almeida, em julho. Na ocasião, ao comparar o futebol brasileiro com o europeu e africano, o dirigente utilizou termos que geraram polêmica:
"A África tem valências físicas como quase nenhuma parte do mundo. A parte mental, temos que ir a outras zonas da Europa e do globo", disse Almeida na época.
Posteriormente, o diretor pediu desculpas, afirmando que sua fala foi isolada do contexto e que não houve intenção discriminatória.
No entanto, a Educafro expandiu a denúncia para um suposto "histórico de racismo no Flamengo" desde a sua fundação. A entidade cita que jogadores lendários como Leônidas da Silva e Domingos da Guia enfrentaram discriminação interna e que ídolos negros mais recentes, como Adílio e Andrade, teriam sido "esquecidos" em homenagens. A petição da ONG menciona ainda cânticos racistas de torcedores nos anos 2000 como prova de que o problema persiste.
Fla pede extinção da ação e condenação
O Flamengo rebateu as acusações históricas e fáticas, chamando a petição inicial de "confusa" e "cheia de contradições". Diante disso, o Rubro-Negro solicitou à Justiça a extinção do processo sem resolução do mérito e a condenação da Educafro por má-fé, exigindo pagamento de custas processuais, honorários advocatícios e indenização por perdas e danos à reputação do clube.
"A Educafro sustenta suas alegações contra fatos públicos e notórios, em comportamento que se enquadra como litigância de má-fé, prática processual predatória e tem como resultado um dano à reputação do CRF", declarou o clube.
Exigências da Educafro
Além da indenização coletiva de R$ 100 milhões (destinada a projetos de igualdade racial), a entidade pede, entre outras coisas:
- Criação de uma comissão de igualdade racial no clube;
- Implementação de cotas raciais em cargos de direção;
- Adoção de medidas concretas e políticas sociais de valorização da população negra.
O caso segue em tramitação na Justiça Federal do Rio de Janeiro.












