Quando Fio Maravilha virou música: Flamengo 1x0 Benfica em 1972

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Atualizado: 10/01/2026, 10:42
Fio Maravilha com a camisa do Flamengo em 1972, em arte editorial inspirada na imagem histórica.

Diogo Almeida

João Batista Sales esteve muito perto de deixar o Flamengo no início da década de 1970. O clube negociava uma troca com o Grêmio envolvendo o centroavante Alcindo, e o técnico Zagallo não pretendia contar com o atacante dentuço, de estilo pouco convencional e considerado fora de forma.

Ainda assim, Fio mantinha identificação com a torcida rubro-negra pela dedicação demonstrada em campo e pela insistência em jogadas improváveis.

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As tentativas criativas e muitas vezes incompreendidas renderam ao atacante o apelido de Crioulo Doido, usado de forma recorrente para defini-lo naquele período. Fio lidava com essa imagem com bom humor, como mostram relatos da época, e não escondia a consciência de que sua personalidade e seu futebol caminhavam juntos.

O episódio que mudaria definitivamente a percepção sobre o jogador ocorreu no Torneio de Verão do Rio, em 15 de janeiro de 1972, diante do Benfica, de Portugal. Com o Maracanã lotado, o Flamengo enfrentava dificuldades na partida. Fio começou o jogo no banco de reservas e, apesar da pressão das arquibancadas por sua entrada, Zagallo resistiu à substituição até a contusão de Arílson.

Chamado ao jogo, Fio passou a participar das principais ações ofensivas do Flamengo. Aos 33 minutos, trocando passes com Rogério, tabelou, driblou dois zagueiros e superou o goleiro Zé Henrique com um toque preciso, garantindo a vitória rubro-negra por 1 a 0.

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Zagallo passou a defender a renovação do contrato do atacante, encerrado em 31 de dezembro de 1971. Em entrevista ao Jornal do Brasil, Fio comentou a forma como era visto e a imagem que carregava:

“Comigo é assim. Eu acredito em mim, acredito nos companheiros e em Deus. Por isso é que improviso. Às vezes dá errado, aí me chamam de crioulo doido ou imprevisível. Tem gente que me acha apenas engraçado. O que vou fazer se criaram essa imagem de mim?”

A atuação de Fio Maravilha pelo Flamengo inspirou Jorge Ben Jor

O lance decisivo contra o Benfica ultrapassou o contexto esportivo. A jogada foi descrita e eternizada posteriormente por Jorge Ben Jor, que transformou o episódio em música e levou o nome de Fio Maravilha para além do futebol, inserindo-o de forma definitiva na cultura popular brasileira. 

➕ Do mesmo autor: Rescisão de Vágner Love no Flamengo: os bastidores jurídicos que marcaram o início da nova gestão

Anos depois, já aposentado do futebol, Fio processou Jorge pedindo uma grana pelos direitos de uso do seu nome. Desde então, Ben Jor trocou "Fio por "Filho" na canção. Tremenda bola fora do ex-atacante do Mengão.

De qualquer forma, a partir daquela tarde de janeiro,  o jogo, o gol e a música consolidaram o nascimento de mais uma lenda do Flamengo.

 


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Diogo Almeida
Autor
Editor-chefe e idealizador do projeto MundoBola, criado em 2015. Jornalista digital com 10 anos de experiência, residente no Rio de Janeiro. Acredita que o esporte é o assunto mais importante dos menos importantes.