A final que determina uma temporada

06/12/2017, 14:51
Atualizado: 12/03/2025

O Flamengo faz contra o Independiente o primeiro jogo válido pela final da Copa Sul-Americana. A partida acontecerá hoje (6), às 21h45 no horário de Brasília, e será disputada no Estádio Libertadores da América, casa da equipe hermana. Se já não bastasse a carga psicológica de uma final internacional entre times de Brasil e Argentina, também estará em jogo a resolução do que em janeiro de 2017 era tido como o ‘ano mágico’ do clube da Gávea, mas que, com o passar do tempo, foi se revelando como mais uma temporada com mais aprendizado nas derrotas do que comemoração nas conquistas. No período o Mais Querido acumula outro Campeonato Carioca para o currículo, o segundo lugar na Primeira Liga e na Copa do Brasil, uma traumática eliminação na primeira fase da Libertadores de América e a sexta colocação no Campeonato Brasileiro, a qual garantiu uma vaga direta à Libertadores de 2018. Levantar a taça da Sul-Americana é mostrar à torcida e também aos adversários que, apesar de não ter alcançado o previamente anunciado ‘ano mágico’, o Flamengo continua numa curva ascendente, deixando uma boa expectativa para 2018. Também é a primeira final internacional que a equipe carioca alcança em 16 anos. A última foi em 1999, quando o Rubro-Negro venceu a Copa Mercosul.

As equipes tiveram preparações totalmente distintas para esse primeiro jogo. Enquanto os brasileiros tiveram que correr atrás de uma virada de jogo até o último minuto contra o Vitória, em sua 80ª partida em 2017, os argentinos conseguiram adiar o confronto contra o Rosário Central, que seria disputado no último sábado, contando com a concordância da Superliga Argentina, organizadora do atual campeonato nacional do país. A instituição divulgou uma nota explicando que a decisão foi tomada visando “não prejudicar a equipe que representa o futebol argentino em torneios internacionais”.

O técnico do Flamengo, Reinaldo Rueda, tem como desfalques o atacante Guerrero, suspenso pela FIFA por suspeita de doping, e os lesionados Berrio, Ederson e Diego Alves. O zagueiro Rever ainda é dúvida para o confronto após ter se lesionado no último jogo contra o Junior Barranquilla. O treinador esconde a escalação a sete chaves, mas a tendência é que ele utilize uma das duas que enfrentou o Junior Barranquilla, diferindo apenas se vai entrar com dois ou três jogadores como volantes. A torcida deposita suas esperanças no experiente Diego, além dos frutos da base Paquetá, Vinicius Jr, Juan, César e Vizeu. Esse último é um dos artilheiros do torneio com cinco gols, já o primeiro está pendurado e ficará fora da última partida caso receba um cartão amarelo.

Rueda falou mostrou sua visão de como será o confronto. "São dois times que têm DNA muito similar. Sempre foram protagonistas e buscam os jogos, então, passa pela boa posse da bola. É preciso ser inteligente. Se quer ganhar, é tratar de se impor. Com boa concentração, podemos buscar o jogo. O Independiente é muito bom, tem grande dinâmica, super-agressivo ofensivamente e com muitas variantes. Desenvolve em altíssima intensidade. Tem todos os méritos para chegar à final."

Conheça o trio de arbitragem da final da Copa Sul-Americana 

Já os Rojos tem como destaque o ponta Barcos, que já é uma referência do time com apenas 18 anos, e o matador Gigliotti. A equipe de Avellaneda atua com a mesma formação que o Mais Querido: 4-2-3-1, podendo variar para 4-3-3. O ‘Rei de Copas’ não vence um torneio internacional há sete anos. O último foi justamente a Copa Sul-Americana, em 2010, quando bateu o Goiás na final. O título também significa o resumo de um trabalho, pois, desde o inédito rebaixamento em 2012, há um esforço para recuperar a força dentro e fora do país do time que mais venceu a Libertadores de América, acumulando sete taças da principal competição da América do Sul. Outro fator que os Hermanos apostam é na torcida, que já esgotou os ingressos à partida e promete mais um ‘Inferno Rojo’ durante a disputa.

Depois de ver a equipe brasileira se recupera de placares desfavoráveis contra Fluminense, Barranquilla e Vitória, o técnico argentino, Ariel Holan, ressaltou a importância em manter a atenção por todo jogo. "O Flamengo tem grandes individualidades, é uma típica equipe brasileira. Talvez não faça uma grande partida, mas pode nos vencer em meia hora. Será uma linda final com duas equipes com muita história".

Flamengo e Independiente já se enfrentaram na Argentina cinco vezes. Os brasileiros nunca venceram fora de seu país, contabilizando duas derrotas, nos dois primeiros confrontos, seguidas de três empates. O embate mais relevante das equipes foi na final da Super Copa dos Campeões da Libertadores de 1995, quando o time de portenho venceu o título em pleno Maracanã, após obter vantagem na Argentina, com um 2 a 0, e perder no Rio de Janeiro pelo placar mínimo. Já pelo lado Rubro-Negro, a melhor lembrança do encontro foi em 1999, quando os cariocas eliminaram os Rojos nas quartas-de-final da Copa Mercosul, com um empate em Avellaneda por 1 a 1 e uma goleada no antigo Maior do Mundo por 4 a 0, com gols de Leandro Machado (2), Fábio Baiano e Romário.

Ficha técnica:

Independiente: Campaña, Bustos, Franco, Tagliafico e Silva; Domingo, Rodríguez, Meza, S. Miño (Benítez) e Barco; Gigliotti. Técnico: Ariel Holan.

Flamengo: César, Pará, Juan, Rever (Rhodolfo) e Trauco; Cuéllar, Arão e Diego; Everton Ribeiro, Paquetá e Vizeu. Técnico: Reinaldo Rueda.

Local: Estádio Libertadores da América.

Horário: 21h45 no horário de Brasília.

Árbitro : Mario Diaz de Vivar (PAR)

Auxiliares : Milciades Salvidar (PAR) e Dario Gaona (PAR)

Árbitro de vídeo: Enrique Caceres (PAR).

 

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo


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