Faltou seriedade e vontade, sobrou prepotência e burrice

Atualizado: 01/02/2026, 18:51
Plata na derrota na Supercopa

Banner João Luis Jr

Não tem justificativa, não tem explicação, não tem atenuante. Não adianta falar que é pré-temporada, não vai colar o discurso de minutagem, se você aparecer agora no meio da torcida com vídeos que provam a existência do ET de Varginha ninguém vai querer saber.

Isso porque o Flamengo chegou a sua terceira derrota seguida em quatro jogos com o time principal, uma estatística que por si só já seria bem complicada de aceitar, mas que tem um grande agravante que é a forma como essas derrotas vem acontecendo.

E sim, sabemos que é começo de temporada. Sabemos que o planejamento sofreu alterações. Sabemos que nem todos os jogadores estão no seu auge físico. A gente sabe de tudo isso. Mas será que o Flamengo não esqueceu algumas coisas que ele precisava saber? Como saber que o ano já começou, saber que essas partidas valem pontos, sabe que neste domingo estava disputando uma final?

Porque o que se viu neste domingo, na final da Supercopa, foi um time disperso, displicente, sem atitude, esforço ou qualquer mínimo senso de urgência. Ninguém chegava firme na bola porque achava que dava pra roubar bonitinho, ninguém corria porque achava que ia resolver na maciota, ninguém chutava a gol porque queriam entrar dentro da pequena área tabelando e sambando como se fossem os Gávea Globetrotters. 

Para um observador casual, que não entendesse o regulamento da competição, a sensação seria a de observar o jogo de volta de um mata-mata onde o Flamengo havia vencido a primeira partida por 6x0 e estava agora disputando os 90 minutos finais apenas por cortesia profissional. Ninguém queria ficar suado, zero disposição para se sujar na grama, era um time dando a vida em campo enquanto o outro apenas estava registrando uma caminhada no Strava e esperando o tempo passar.

O problema é que esse primeiro jogo aparentemente aconteceu apenas na cabeça da equipe rubro-negra, enquanto no mundo real o que se via eram duas equipes precisando igualmente de gols, mas apenas uma com vontade o bastante para marcar. E foi como resultado previsível do duelo entre a vontade de vencer e a pura dissociação cognitiva que o Flamengo sofreu seu primeiro gol, numa bola cruzada na área.

Mas como não bastava apenas descaso, era preciso adicionar alguma dose de estupidez, ainda no fim do primeiro tempo Carrascal decidiu dar uma cotovelada, ao mesmo tempo acintosa e inofensiva, num atleta adversário. Uma jogada tão estúpida e inacreditável que a equipe de arbitragem precisou de todos os minutos do intervalo para confirmar que sim, o Flamengo iria ficar com um jogador a menos e sim também, seria por um motivo incrivelmente idiota.

O que se viu depois foi menos uma partida de futebol e mais uma amostra grátis de um círculo muito específico do inferno. Filipe Luís demorou a mexer, manteve Plata pelo máximo de tempo possível, na rara ocasião de uma chance ser criada ela era imediatamente desperdiçada até que viesse o previsível segundo gol, para fechar de vez o caixão de um time cuja hora do óbito foi antes mesmo do começo da partida.

Resta agora ao Flamengo acordar. Lembrar que o ganha partida são chutes, passes, carrinhos e não superávits, cotação de jogador no Transfermarkt ou número de pessoas que apostaram num time no Palpitômetro do Globo Esporte. Porque 2025 foi logo ali e sabemos que time o Flamengo tem. Mas se com essa atitude até o quadrangular de rebaixamento do Carioca começa a parecer complicado, imagina então ganhar algum título. 

 


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J. Luis Jr.
Autor
João Luis Jr. é jornalista, flamenguista desde criança e já viu desde Walter Minhoca e Anderson Pico até Adriano Imperador e Arrascaeta, com todas as alegrias e traumas correspondentes. Siga João Luis Jr no Su...