Escalações improvisadas e substituições erradas marcam Era Paulo Sousa no Flamengo

08/06/2022, 17:03
Atualizado: 06/03/2025
paulo sousa flamengo 1x2 fortaleza brasileiro 2022

O próximo jogo do Flamengo contra o Bragantino marca não só mais um confronto pelo Brasileirão, nesta quarta-feira (08), como também o futuro de Paulo Sousa no comando técnico do clube. O panorama do português na temporada pelo Rubro-Negro está marcado por indefinições, problemas internos, escalações improvisadas e críticas de torcedores que pressionam pela sua saída.

A falta de boas atuações em diferentes campeonatos marcam a Era Paulo Sousa no Flamengo. Além disso, o Mais Querido ocupa apenas a 11ª posição na tabela do Campeonato Brasileiro após nove rodadas. São 12 pontos conquistados com três vitórias, três empates e três derrotas.

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Num comparativo entre Paulo e os antigos treinadores desde a passagem de Jorge Jesus pelo clube, Sousa tem o pior aproveitamento. Após nove rodadas no torneio nacional, Jesus somou 22 pontos, Domènec Torrent fez 17 pontos assim como Rogério Ceni. Nesse sentido, Renato Gaúcho somou 19 pontos, enquanto o atual técnico fez apenas 12.

Não só os números e os comparativos de dados servem de base para os torcedores flamenguistas e jornalistas criticarem o português no comando do time, mas o baixo desempenho coletivo da equipe em conjunto com problemas individuais dentro de campo. Assim, as escalações confirmam equívocos do português ao montar o elenco durante as partidas.

Já as improvisações em setores chave do time explicam péssimas atuações ao longo da temporada, além de expor a falta de entendimento dos jogadores sobre suas funções em campo.

Os primeiros testes e as primeiras vaias de Paulo Sousa no Flamengo

O português Paulo Sousa foi oficializado como novo treinador do Flamengo no dia 29 de dezembro de 2021. Aos 51 anos, ele deixou o comando da seleção da Polônia para assumir o futebol rubro-negro. Já a sua estreia no comando do time foi na vitória por 3 a 0 contra o Boavista, pela terceira rodada do Carioca, no dia 02 de fevereiro.

Já na primeira partida, Paulo mesclou formados na Gávea com algumas peças importantes do elenco principal. Além disso, parte dos titulares da equipe sequer foram utilizados, com destaque para Filipe Luís e Bruno Henrique. No primeiro momento, ele usou seus primeiros 90 minutos para testar opções do que encontrar uma formação ideal.

Por outro lado, a partida contra o Audax pela quinta rodada do Carioca marcou o início de uma era de críticas e pressão de Paulo com a torcida. Isto é, o Flamengo venceu o duelo por 2 a 1 no dia 10 de fevereiro. No entanto, o Mister ouviu gritos de “burro” por parte da torcida.

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O time começou perdido em campo, mas começou a se ajustar já na segunda etapa. Ainda testando formações e variações, Paulo Sousa tirou Arrascaeta, Filipe Luís e Thiago Maia para a entrada de Cleiton, Arão e Marinho. Foi aí que parte da torcida criticou o Mister e o chamou de “burro”.

Após os gritos de “burro”, o Mais Querido goleou o Nova Iguaçu na noite do dia 13 de fevereiro, pela 6ª rodada do Campeonato Carioca. Além o placar importante, Paulo indicou similaridades com o antigo estilo tático de Jorge Jesus, pois Rodinei e Everton Ribeiro eram opções para profundidade do time. Já Fabricio Bruno e Gustavo Henrique eram destaque no setor de três defensores de Sousa.

Enquanto, os volantes Arão e João Gomes pareciam estar mais adaptados a receber de costas e dominar orientando rapidamente o passe para buscar o último terço. Este setor do campo demonstra os problemas de adaptação dos jogadores ao longo da temporada, além da insistência em recuperar o futebol de Andreas.

Apesar de um momento de possibilidade de bom desempenho e crescimento do Flamengo contra o Nova Iguaçu, as próximas rodadas do time no torneio regional deram início aos problemas e equívocos em campo.

Escalações improvisadas e substituições erradas

Ainda pelo Carioca, a vitória do Flamengo sobre o Vasco por 2 a 1 no dia 03 de março expôs a péssima impressão da imprensa sobre o trabalho do português no Rubro-Negro. Assim, o indício explicito de “jogadores desconfortáveis” no esquema de Paulo Sousa.

“Aí aparecem questões do trabalho [do Paulo Sousa] que ainda não estão resolvidas. A gente ainda sente alguns jogadores desconfortáveis em algumas funções. Talvez o Everton Ribeiro seja o exemplo mais claro. Começou o jogo como ala, não tem conseguido ser tão influente no jogo como normalmente era em outra função”, disse Carlos Eduardo Mansur, no ”Redação SporTV”.

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Logo após o clássico, Paulo começou a ser questionado sobre suas opções táticas e deu início as explicações sobre como os jogadores se comportam em campo. Entre os exemplos, ele explicou o posicionamento de Everton Ribeiro, alegando que no lado direito o Flamengo têm três laterais de profundidade, ou seja, é melhor posicionar o meia na esquerda, onde Filipe Luís sobe menos que os laterais-direitos.

Além disso, os problemas que envolvem o lado direito do time em campo foram expostos por conta das opções de Rodinei titular naquele momento, Matheuzinho opção no banco. Enquanto, Isla não era nem relacionado para os jogos banco.

Já contra o Bangu pelo Carioca, as surpresas surgem na escalação porque Isla recebeu uma chance. Na ocasião, o chileno entra na segunda etapa no lugar do Matheuzinho, mostrando o rodízio no lado direito.

O chileno perdeu espaço com Paulo Sousa e teve um desgaste interno após pedir para não jogar devido a sintomas gripais e postar vídeos em uma festa no mesmo dia. Entretanto, o veterano voltou a ganhar oportunidades no jogo contra o Bangu e deu uma assistência.

Em outro momento, o jornalista Mauro Cezar criticou o desempenho da equipe e não vê a evolução esperada.

“O time tem problemas evidentes. O da saída de bola é bem grave. O Flamengo saía jogando sempre na bola esticada pelo David Luiz. Acho isso ruim demais, não é o que se espera do time. Isso devia ser uma arma eventual”, disse Mauro.

“O time perdeu muitas chances de novo. Isso é um problema que até com Jorge Jesus chegou a acontecer e afetou todos os técnicos”, completou.

Os problemas ofensivos são expostos por conta dos gols perdidos em campo e a questão sobre o Pedro. O jogador teve poucas oportunidades e desabafou após o jogo contra o Altos-PI. Com a declaração, o jornalista Osvaldo Pascoal, durante o programa “ESPN FC”, concordou com o atacante e ainda atacou Paulo Sousa, que segundo o jornalista, diz que dá minutos a Pedro, mas o coloca apenas em jogos irrelevantes.

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“O Pedro está correto, não vi polêmica na declaração dele. O jogador apenas se posicionou sobre algo que muitos falavam e de fato é ele quem deve fazer o que julga melhor para a sua carreira. O Paulo Sousa disse na coletiva que dá minutos ao Pedro, verdade. Só que as oportunidades foram dadas no Campeonato Carioca. Nos jogos à vera que são para valer, o Pedro não entra. Ali foi um desabafo dizendo ‘eu quero jogar’”, declarou Osvaldo Pascoal.

O rodízio de jogadores

O chamado rodízio em diferentes setores do campo passa a ser questionado por jornalistas, pois a falta de entendimento de atletas quanto às ideias de Paulo Sousa apontam a vulnerabilidade do time. Além disso, a falta de evolução da equipe rubro-negra na temporada.

“Atuação foi ruim no geral, o elenco do Flamengo não entrega o que se espera dele, ou seja, quando tem que mexer no time e rodar o elenco as limitações ficam muito claras.”, disse o jornalista André Rocha e Renato Maurício Prado após o jogo contra o Altos-PI.

Já Mauro Cézar Pereira abordou o assunto sobre as mudanças constantes no time.

“Um ponto importante e pouco observado é uma espécie de mudança no elenco. Ele pôs todo mundo para jogar e já barrou alguns jogadores importantes. Por exemplo, Renê, que já deu o que tinha que dar no Flamengo. O nível do elenco subiu e ele vai ficando para trás. Ele já percebeu que o Renê não dá”, declarou o jornalista, na ‘Jovem Pan’.

Por outro lado, o analista tático Raul Ando, do Categoria Canal, apontou pontos vulneráveis do time titular após a final da Supercopa, contra o Atlético-MG.  O especialista apontou brechas no posicionamento do Flamengo. Entre os problemas, os meio-campistas têm um posicionamento mais flexível e muitas vezes compactam a linha, diminuindo, assim, a amplitude do time.

A dupla de volantes não é definida como titular devido às alternâncias a cada partida. No confronto contra o Fortaleza pela nona rodada do Brasileirão, o português iniciou a partida com três volantes – Arão, João Gomes e Andreas.  O Mais Querido acabou não conseguindo desempenhar o seu melhor futebol e perdeu em casa.

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Já as opções no gol aumentaram as críticas quanto às ideias de Paulo Sousa e sua comissão técnica, pois Hugo, Santos e Diego Alves travaram uma “batalha” pelos holofotes nos últimos meses. Santos estreou pelo Flamengo contra o Talleres, pela Libertadores. Enquanto, Hugo é escalado no Brasileirão. Com isso, os torcedores e especialistas entendem que Paulo Sousa estaria fazendo um rodízio na posição.

No entanto, especialistas e torcedores questionam a decisão no gol por conta das falhas de Hugo e a falta de confiança no trabalho de Paulo Grilo, que manteve o jovem goleiro e na forma como foi conduzida a escolha para o gol da equipe rubro-negra.

Uma das maiores características do português é rodar bastante o elenco. No entanto, as opções da lateral-esquerda do Flamengo foi decidida por Paulo num momento que ele tinha à disposição Filipe Luís, Renê e Ramon. No ocasião, Renê atuou somente 139 minutos em três partidas, enquanto Ramon sequer entrou em campo. Com isso, os dois não fizeram parte do rodízio e foram negociados pela diretoria.

O teste de paciência em campo

A vitória de 3×2 sobre o fraquíssimo time da Universidade Católica pela terceira rodada do Grupo H da Libertadores da América foi um exercício de estresse para o time do Flamengo. Paulo Sousa tentou descobrir qual era o limite de fragilidade do time para vencer o adversário chileno.

Entre as opções táticas, o português indica suas alterações para consertar problemas nos 11 escolhidos incialmente. Contra a Universidad Católica, ele tirou João Gomes para colocar Andreas Pereira. Imediatamente o time perdeu força de marcação e começou a ser pressionado. Já aos 19 minutos, Paulo Sousa trocou de uma vez Bruno Henrique, Everton Ribeiro e Arrascaeta para entrada de Diego, Lázaro e Marinho. 

A ideia de tirar o trio de principais jogadores do Flamengo: Bruno Henrique, Arrascaeta e Everton Ribeiro, deixando a equipe sem um armador, o que deixou o time menos tempo com a bola em campo. 

Essas decisões mostram um dado importante de Paulo no comando do Rubro-Negro: o português jamais repetiu a relação de 11 jogadores desde fevereiro, acumulando 25 escalações diferentes. O único momento diferente foi contra o Vasco, na semifinal do Campeonato Carioca.

Entre os exemplos, Flamengo contra o Goiás pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro 2022, o técnico experimentou uma formação diferente, com um volante de ofício e dois centroavantes. Pedro e Gabigol jogaram juntos e Andreas Pereira foi para o banco. Everton Ribeiro jogou um pouco mais recuado.

A campanha “#ForaPauloSousa”

Com o péssimo desempenho decorrente de escolhas questionáveis, como um rodízio em setores do campo ou má condução de problemas internos, Paulo leva na bagagem pelo Flamengo até o momento: o vice do Estadual, contra o Fluminense, e na Supercopa, diante do Atlético-MG. No Brasileirão, é o pior começo do clube na competição em sete anos.

O termômetro da torcida e a pressão sobre Paulo ficou evidente com as vaias direcionadas ao técnico a partir de sequência de jogos no Maracanã, em maio. A volta o estádio diante dos flamenguistas expôs a situação de infelicidade e descontentamento com o trabalho da equipe em campo, como gritos pedindo a sua saída após a derrota por 2 a 1 sobre o Fortaleza, no domingo (05).

Os torcedores rubro-negros iniciaram a campanha pela saída do técnico após o empate contra o Ceará em 2 a 2, no estádio do Castelão, no dia 14 de maio. Apesar de as cobranças existirem desde fevereiro, a torcida tem uma única solução para o momento do Flamengo: a saída eminente de Paulo Sousa.


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Lucas Alexandre
Autor
Estudante de jornalismo e redator no Mundo Rubro Negro. Apaixonado por esportes e contar histórias. SRN 🔴⚫️