
Agora, Jesus, olhando nos seus olhos, se você quer ir embora, vá. A impressão que fica é que a sua mala esteve pronta desde o dia que chegou
Blog Resenha Rubro-Negra | Por Ricardo Moura – Twitter: @ricardomouraCRF
Eu tinha por volta dos 10 anos quando a realidade bateu na minha vida.
Lá estava eu, andando de bicicleta na rua e sem querer bati na perna do Leandrinho.
Leandrinho era o “dono da rua”. Todo mundo tinha medo dele. Quem não tinha, mentia. Ele era mais forte e mais alto que todos. Costumava morder a língua para dar socos nos meninos que arrumavam encrenca com ele.
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Naquele dia, que apenas “relei” na perna dele, foi ali que senti as dores que a vida iria me entregar até a morte.
Não adiantava pedir desculpas.
Tomei um soco no meio do rosto!
Confesso que não senti dor. Nos primeiros segundos, após o golpe, pensei que havia morrido. Mas de pronto me vi sangrando e lembrei que meu avô sempre falava “morto não se vê morrendo”. Então, vivo, comecei a pensar no que tinha acontecido.
Hoje, passados bons anos, penso naquele dia e vejo que foi libertador. Apanhar com 10 anos me fez ficar firme para aguentar tudo que o Mundo jogaria em meu colo, para não falar outra coisa.
Jorge Jesus precisa encontrar um Leandrinho na diretoria do Flamengo.
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Alguém precisa, não do soco, no sentido literal, mas dar aquela “psico porrada” no português e o colocar no devido lugar.
Não, Jesus, o Flamengo não é a casa da mãe Joana. Você não pode montar um planejamento de milhões e a cada 30 dias mostrar incerteza na continuidade do trabalho.
Landim, use a sua força e o pouco de credibilidade que sobrou. Chame o treinador para conversar e cobre uma definição. Precisamos saber se ele estará conosco até o fim ou se já tá encantando por outra mulher.
Caso ele te enrole, vai doer, mas não pense duas vezes. Corte o que tiver que cortar.
Um dia o Zico saiu e aqui estamos. Júnior, Leandro, Adílio, Nunes, Romário, Adriano e por aí vai. Todos eles um dia partiram e o Flamengo continuou. E vai continuar sem o português.
Entenda, não estou pedindo que o demita. Apenas cobro uma atitude de homem. Do homem que arrumou briga com a Globo e teve coragem de fazer alianças para lá de malucas. Se Jesus não quer ficar, que vá e que nos dê tempo de arrumar outro nome.
Agora, Jesus, olhando nos seus olhos, se você quer ir embora, vá. Mas vá com a certeza de que não teve a palavra dos grandes homens. A impressão que fica é que a sua mala esteve pronta desde o dia que chegou.