Entre Leandrinho e Landim

11/07/2020, 20:08
Atualizado: 17/03/2025
jorge jesus fla

Agora, Jesus, olhando nos seus olhos, se você quer ir embora, vá. A impressão que fica é que a sua mala esteve pronta desde o dia que chegou

Blog Resenha Rubro-Negra | Por Ricardo Moura – Twitter: @ricardomouraCRF

Eu tinha por volta dos 10 anos quando a realidade bateu na minha vida. 

Lá estava eu, andando de bicicleta na rua e sem querer bati na perna do Leandrinho. 

Leandrinho era o “dono da rua”. Todo mundo tinha medo dele. Quem não tinha, mentia. Ele era mais forte e mais alto que todos. Costumava morder a língua para dar socos nos meninos que arrumavam encrenca com ele. 

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Naquele dia, que apenas “relei” na perna dele, foi ali que senti as dores que a vida iria me entregar até a morte.

Não adiantava pedir desculpas.

Tomei um soco no meio do rosto!

Confesso que não senti dor. Nos primeiros segundos, após o golpe, pensei que havia morrido. Mas de pronto me vi sangrando e lembrei que meu avô sempre falava “morto não se vê morrendo”. Então, vivo, comecei a pensar no que tinha acontecido. 

Hoje, passados bons anos, penso naquele dia e vejo que foi libertador. Apanhar com 10 anos me fez ficar firme para aguentar tudo que o Mundo jogaria em meu colo, para não falar outra coisa. 

Jorge Jesus precisa encontrar um Leandrinho na diretoria do Flamengo. 

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Alguém precisa, não do soco, no sentido literal, mas dar aquela “psico porrada” no português e o colocar no devido lugar.

Não, Jesus, o Flamengo não é a casa da mãe Joana. Você não pode montar um planejamento de milhões e a cada 30 dias mostrar incerteza na continuidade do trabalho. 

Landim, use a sua força e o pouco de credibilidade que sobrou. Chame o treinador para conversar e cobre uma definição. Precisamos saber se ele estará conosco até o fim ou se já tá encantando por outra mulher. 

Caso ele te enrole, vai doer, mas não pense duas vezes. Corte o que tiver que cortar.

Um dia o Zico saiu e aqui estamos. Júnior, Leandro, Adílio, Nunes, Romário, Adriano e por aí vai. Todos eles um dia partiram e o Flamengo continuou. E vai continuar sem o português. 

Entenda, não estou pedindo que o demita. Apenas cobro uma atitude de homem. Do homem que arrumou briga com a Globo e teve coragem de fazer alianças para lá de malucas. Se Jesus não quer ficar, que vá e que nos dê tempo de arrumar outro nome.

Agora, Jesus, olhando nos seus olhos, se você quer ir embora, vá. Mas vá com a certeza de que não teve a palavra dos grandes homens. A impressão que fica é que a sua mala esteve pronta desde o dia que chegou.


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Ricardo Moura
Autor
Ricardo Moura é jornalista e apaixonado pelo Flamengo. Não debate finanças e reluta em usar termos da moda, como terço final e mapa de calor. Acredita que o futebol e o Flamengo trabalham com a paixão e por isso esquece números e se apega ao lúdico do ...