Do Maracanã ao topo do mundo: pentacampeão de skimboard conta como Flamengo moldou sua carreira

Pentacampeão mundial de skimboard, Lucas Fink revelou ser torcedor fanático do Flamengo e ex-membro da bateria da Raça Rubro-Negra. Em entrevista ao 'Charla Podcast', o fenômeno brasileiro contou que toca surdo desde os sete anos por influência do pai. Antes do sucesso mundial, Fink passou pelas escolinhas e pelo futsal do clube, mas migrou para o esporte individual.
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"É, eu nasci de camisa do Flamengo. Eu nasci com uma criança de 7 anos pra tocar na bateria da Raça Rubro-Negra. É bagulho maluco mesmo, né. Eu cresci, gostei do futebol desde cedo. Joguei um pouquinho ali, fraudinha e tal, fazia escolinha direta também depois. Era fissurado no futebol, tá ligado? Mas eu fui meio que me desvirtuando por causa da questão de trabalho em equipe, né. De perder por causa dos outros. Aí fui buscando um esporte individual", disse.
Para o campeão, a vivência na torcida foi uma experiência que moldou seu caráter e visão profissional. Mesmo com o status de ídolo global, ele mantém contato com lideranças da torcida e frequenta a bateria sempre que está no Rio. Fink descreve essa relação como uma extensão de sua família.
"Ali eu aprendi muito sobre propósito, né. Eu ficava muito puto, tipo, falava: cara, os caras tão aqui dando a vida pela torcida e os caras em campo tão tipo um bando de sanguessuga, irmão. Será que o jogador tem dimensão do quanto esse cara que larga o filho, larga a mulher, gasta tudo que tem só pra acompanhar? É muito louco mesmo, mas tu aprende que quando tem um propósito claro na vida, é isso, paixão. Viver o que tu ama."
O atleta acredita que a resiliência para enfrentar as ondas de Nazaré foi forjada nos perrengues de estádio e caravanas. Ele recorda que, apesar da realidade distinta de onde veio, a arquibancada nivelava todos sob a mesma bandeira.
Essa vivência de proteção mútua foi fundamental para desenvolver uma mentalidade de foco total em seus objetivos, sem se abalar por pressões externas.
"Foi uma grande experiência antropológica poder viver isso tudo. Tá ali do lado de muita gente diferente, mal ou bem eu vim de outra realidade. E era isso, todo mundo ali era família total, entendeu? Se defendia, né? Meu pai se dava bem com todo mundo e eu também nunca tive nenhum tipo de preconceito, pelo contrário. Eu tinha a maior admiração por todos eles. Tenho até hoje."
Proteção de pai e os perrengues das caravanas
A infância de Lucas foi marcada por viagens de ônibus, chuvas intensas e a tensão dos clássicos cariocas no Engenhão e Maracanã. O ambiente das organizadas era hostil, mas a presença do pai, Mário Maluco, garantia sua segurança. Ele aprendeu cedo a não correr em confusões para evitar pisoteamentos, seguindo à risca as instruções de seu mentor.
"Aquele negócio de briga era toda hora naquela época. E o meu pai só fazia assim, ó: botava embaixo do braço e falava 'não se mexa'. A gente ficava lá, mano. Ele falava que se corresse era pior, porque ia ser pisoteado. Aí ficava parado. Já teve perrengue de ônibus indo pra São Paulo, chuva pra caralho, saindo de estádio... Torcida do Botafogo fazendo emboscada. Já corremos várias vezes."
Quem é Lucas Fink?
Nascido no Rio e criado no Leblon, Lucas Fink é o maior fenômeno do skimboard brasileiro e mundial. Com técnica que une o surfe ao skate, conquistou seu primeiro título mundial em 2019, aos 21 anos, quebrando a hegemonia dos Estados Unidos.
Em 2025, alcançou a marca de pentacampeão mundial, isolando-se como o segundo maior vencedor da história. Além das areias, ganhou fama global ao desafiar as ondas gigantes de Nazaré com sua prancha sem quilhas. Fink personifica a união entre o torcedor apaixonado e o atleta de elite, mantendo a irreverência carioca e a "raça" em cada manobra.












