Diretor financeiro do Flamengo aponta diferencial para alta receita

O Flamengo atingiu receita R$ 1,370 bilhão em 2023 e bateu recorde histórico do futebol brasileiro. Os números foram confirmados em reunião do Conselho Fiscal nesta quinta-feira (24). Grande parte da arrecadação emblemática se dá em função do aumento exponencial em áreas comerciais nos últimos anos, quesito que foi destacado por Fernando Goés, diretor financeiro do clube.
“Grupos Matchday e comercial foram muito fortes. Esses dois grupos nos últimos cinco anos dobraram de valor. Cresceram mais de 14% por ano. Têm diferentes vetores, publicidade e apostas on-line que estão valorizando. Mas teve muito trabalho que foi feito no canal de mídia do Flamengo. A propriedade do Flamengo vale mais porque é um canhão de comunicação. Há a criação da Fla TV, o Flamengo é número 1 em todas as mídias. Patrocinador compra acesso a esse público”
➕: Diogo lembra caso Bruno e turbulento ano no Flamengo em 2010
A receita de matchday é referente ao dinheiro de bilheteria, sócios e tudo que o clube arrecada em dias de jogos. O valor atingiu R$ 260 milhões em 2023, mais que o dobro dos R$ 111 milhões arrecadados em 2018. Já o aumento em comparação com o ano anterior foi de 26,8%, saindo de 205 milhões de reais.
A receita comercial (marketing, publicidade e licenciamento) também dobrou nos últimos cinco anos e atingiu R$ 323 milhões. Por fim, o trabalho do clube com a base rendeu recorde de venda de atletas: 303 milhões de reais. Vale destacar as vendas de Matheus França e João Gomes, por R$ 104 e R$ 103 milhões, respectivamente, mas também o alto volume de atletas que deixa a base do clube rumo à Europa.
O aumento, por outro lado, não muda a filosofia da diretoria em relação aos gastos com o futebol profissional. Fernando Goés explica que a ideia é manter o índice de gastos sobre a receita total no mesmo patamar dos últimos anos.
“Se eu pego os últimos anos, sem considerar as amortizações, a gente gastou 63% das receitas recorrentes (com futebol). Tem toda uma área de apoio, jurídico, marketing que também estão ligadas ao futebol. Se somar tudo, tira social e esporte olímpico, chega a 83%”
Superávit de R$ 320 milhões não influencia na construção de estádio do Flamengo
O Flamengo não só tem a maior receita do futebol brasileiro, mas fechou o ano passado com R$ 320 milhões de superávit. Valor que permite arrecadação de atletas sem aumentar a dívida líquida do clube, que está zerada. Assim, o vice-presidente de finanças, Rodrigo Tostes, explica o motivo do lucro não utilizado para iniciar construção de estádio.
“Endividamento baixo te permite se endividar mais. Qual o nível de endividamento para fazer um estádio? Não temos essa conta. Mas a intenção da atual diretoria é não deixar um passivo do clube. Se esse passivo for R$ 50 milhões/R$ 100 milhões por ano (para fazer o estádio)… A gente estuda todas as possibilidades. Mas a intenção não é deixar um passivo de longo prazo”, disse Tostes.