Diego Ribas no Flamengo: uma análise de desempenho baseada nos grandes jogos

10/10/2017, 16:02
Atualizado: 01/11/2023

O meia Diego passou de uma grande alegria ao ser convocado para duas tristezas antes de se apresentar à seleção. O camisa 35 vinha enfrentando críticas da torcida principalmente após lesão que o tirou de jogos importantes, como, por exemplo, o duelo contra o San Lorenzo no Nuevo Gasómetro, que acabou eliminando o Flamengo da principal competição do planejamento rubro-negro, a Libertadores 2017.

 
A pressa e necessidade por melhora de desempenho fez com que Diego voltasse antes do tempo previsto, e a queda de rendimento do meia foi visível, o que levou o torcedor a questionar o retorno antecipado. Mesmo em fase contestável, ele foi convocado por Tite. No entanto, no dia da apresentação, poucos dias após o vice-campeonato da Copa do Brasil em que ele perdeu o pênalti decisivo, foi detectada nova lesão e houve o corte da seleção.

Desde a lesão Diego jogou 27 vezes, vencendo 11, empatando 10 e perdendo outras seis. Neste período marcou 6 gols e distribuiu 3 assistências. Antes do problema no joelho, foram 30 jogos, 19 vitórias, 9 empates e 2 derrotas, com 12 gols e 8 assistências. Os números mostram uma queda, é verdade, e ela abre espaço pra dois questionamentos: o Flamengo caiu de rendimento devido à queda de Diego ou o contrário?

No dia 06 de outubro o jornal Extra, após dois grandes problemas com a diretoria rubro-negra, fez uma matéria apontando o aproveitamento do rubro-negro com e sem Diego. Os números não mentem: com ele em campo o aproveitamento é de 59%, enquanto sem ele o número sobe para 64%. O que isso quer dizer é que a queda de rendimento do jogador fez o desempenho geral do time cair? Não é bem assim.

O Mundo Bola trabalhou e pesquisou bastante para detalhar este aproveitamento, e achou o ponto que refuta a matéria do jornal carioca.

No início da temporada, o clube dividia a atenção entre duas competições principais: a Libertadores, sonho de consumo da diretoria, jogadores e torcedores; e o Campeonato Carioca, objeto de desejo e um dos torneios que comprovam a hegemonia rubro-negra no estado. A comissão, como era de se esperar, deu preferência a disputa da competição continental, e peças importantes como Diego pouco participaram do fácil “Cariocão”.

Fizemos então uma lista de jogos com e sem Diego em 2017. Entre os adversários dividimos em:

  • Clássicos (Vasco, Fluminense e Botafogo): 10 jogos/4 vitórias/6 empates/0 derrota/60% de aproveitamento;
  • Duelos contra grandes (Corinthians, Internacional, Grêmio, Palmeiras, Atlético-MG, Santos, Cruzeiro, São Paulo e adversários da Libertadores): 14 jogos/5 vitórias/5 empates/4 derrotas/47,6% de aproveitamento;
  • Duelos contra medianos (Equipes que se encontravam fora do G4 e Z4 quando enfrentaram o Flamengo): 9 jogos/5 vitórias/1 empate/3 derrotas/59,2% de aproveitamento;
  • Duelos contra fracos (Equipes que se encontravam na zona de rebaixamento quando enfrentaram o Flamengo): 6 jogos/5 vitórias/1 empate/0 derrota/88,8% de aproveitamento;

E foi assim que ficou nítida a distinção no aproveitamento. Percebe-se que aproximadamente 85% das partidas em que Diego participou foram de medianas para difíceis, ou seja, a minoria foram os jogos contra adversários considerados mais fracos.

Como contraponto, foi contra os fracos a maioria dos jogos SEM Diego. O meia não participou de 26 jogos em 2017. Destes, 14 foram duelos contra clubes que, teoricamente, o Flamengo também venceria se estivesse COM Diego, ou seja, 54% dos jogos.

Para deixar bem detalhado, os 14 jogos foram contra: Nova Iguaçu, Portuguesa-RJ, Resende, Bangu e Volta Redonda (Carioca); América-MG, Ceará e Paraná (Primeira Liga); Atlético-GO (2x pela Copa do Brasil); Palestino (2x pela Sul-Americana); e por fim Atlético-GO e Avaí (Brasileirão).

Vamos além. Confira todos os números do Flamengo SEM Diego em 2017:

  • Clássicos: 5 jogos/3 vitórias/1 empate/1 derrota/66,6% de aproveitamento;
  • Contra grandes: 4 jogos/1 vitória/1 empate/2 derrotas/33,3% de aproveitamento;
  • Contra medianos: 3 jogos/1 vitória/1 empate/1 derrota/44,4% de aproveitamento;
  • Contra fracos: 14 jogos/9 vitórias/5 empates/0 derrota/76,2% de aproveitamento.

Os números da matéria do “Extra” são 100% corretos. O aproveitamento geral com Diego é de 59,8% (na verdade poderiam aproximar para 60%) e sem ele é de 64%. Porém, quando se analisa a fundo, fica claro o motivo da disparidade. É como no Enem, por exemplo: você não pode analisar puramente a porcentagem de acertos, mas ver quantas questões difíceis e quantas fáceis estão no bolo.

O desempenho de Diego pode melhorar? Claro que pode. O Flamengo pode melhorar junto? Pode também. O ponto é que este tipo de matéria é sem nexo se não for devidamente detalhada para o torcedor ver os motivos da diferença entre os aproveitamentos.

A importância do armador é gigante. Desde que estreou, Diego tem sido, ao lado de Guerrero, o principal nome do Flamengo. Não perdeu UM clássico, são apenas oito derrotas em incríveis 57 jogos com o manto e com o ótimo aproveitamento de aproximadamente 64%. Como qualquer outro profissional, deve ser cobrado quando os resultados não chegam, porém, é preciso que todo rubro-negro mantenha a crítica baseada em fatos e não factoides.

*Dados de Adriano Skrzypa, do blog Flamengo em Números


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Lucas Tinôco
Autor
Acima de tudo Rubro-Negro. Sou baiano, tenho 28 anos e cursei Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Além do MRN, trabalhei durante muito tempo como ap...