Diego: "Eu estarei ali, contem comigo para assumir esta responsabilidade"

04/12/2017, 13:02
Atualizado: 22/11/2023

Aos 50 minutos do segundo tempo do último jogo de um dos Campeonatos Brasileiros mais desgastantes dos últimos anos. Aos 50 minutos do segundo tempo o destino dos planos para 2018 estava todo ali, naquele círculo de cal que separa no futebol a fama e o esquecimento, a glória e o limbo, os meninos e os homens: a marca do pênalti.

Depois de perder a cobrança que selou o vice-campeonato na Copa do Brasil, Diego Ribas conviveu com a desconfiança da torcida. Vaiado em alguns jogos, o meio-campista ainda não recuperou o bom futebol que marcou sua chegada ao clube em julho de 2016, porém cada vez mais assume a liderança do time dentro e fora de campo.

Diego chutou forte no meio, optando pela chamada batida de segurança. Fernando Miguel pulou para o canto direito e a rede do Vitória estufou. Mesmo vivendo indiscutível má fase, Diego termina o Brasileiro como artilheiro do Flamengo e entre os 11 de toda a competição, com 10 gols. Provavelmente o Flamengo teria ido mais longe se o experiente meia estivesse em seu esplendor técnico. Entretanto, não há como contestar que o Flamengo chegou onde chegou - campeão carioca, classificado para a fase de grupos da Libertadores e finalista das Copas do Brasil e Sul-Americana - com o auxílio de Ribas.

Na área mista de entrevista do Barradão, o camisa 35 do time respondeu aos repórteres sobre a temporada. Não tardou para que suas palavras se tornassem alvo de nova polêmica acerca da falta de inconformismo do líder, que teria dito estar satisfeito com o ano do Mengo, mesmo com o fracasso na Libertadores e Brasileiro.

Não. Não é. Nós não estamos satisfeitos até o momento. Nós temos a possibilidade de conquistar mais um título na temporada e nós vamos atrás com toda as nossas forças. Porém, nós temos que reconhecer o fato de que estamos em uma terceira final. Possibilidade de conquistar um título. Classificado para a fase de grupo da Libertadores. Fomos a equipe mais venceu na temporada e o ataque mais positivo. As coisas boas devem ser lembradas porque é com esforço que se conquista isso. Porém isso não serve para nos confortar e a gente dizer ‘aconteça o que acontecer está bom’. Jamais. Nós somos o Flamengo e o Flamengo tem a obrigação de vencer. Nós temos um grupo muito forte, jogadores muito fortes. Continuamos extremamente motivados, humildes, com o pé no chão. Mas temos que reconhecer o que foi de positivo. E isso não esconde nossas frustrações”, respondeu Diego perguntado se o título da Copa Sul-Americana bastaria para otimizar o ano do Flamengo.

Se ficou evidente que nada há na resposta de satisfação, o leitor do Mundo Bola pode tentar enxergar conosco um pouco além do sensacionalismo recorrente que a imprensa esportiva tão bem faz descontextualizando discursos.

Diego demonstra inteligência emocional. Sabe que a frustração pela saída prematura e traumática da Libertadores abalou o grupo ao ponto de corroer o primeiro turno do Brasileiro. Sabe que esse sentimento precisa ser expurgado definitivamente. Da mesma forma como fez com fantasma do pênalti defendido por Fábio em Belo Horizonte, na final da Copa do Brasil, ao se apresentar para bater a penalidade que a sorte lhe presenteou aos 50 minutos da 38ª rodada do BR-2017.

“Bater o pênalti hoje foi um momento muito difícil. Realmente toda essa pressão que vocês sentem de fora existe. Por mais experiente que o jogador seja, ele tem que estar extremamente preparado. É um momento difícil. Sem dúvida nenhuma aquele pênalti defendido na final da Copa do Brasil. Mas como eu disse, cada vez que eu pego a bola eu estou sujeito a fazer, estou sujeito a errar, os goleiros estão preparados mesmo que eu bata bem eles podem defender. Eu estou ali para assumir a responsabilidade. Treino para isso. Me preparo físico e mentalmente. Eu estarei ali, contem comigo para assumir esta responsabilidade. Para tentar novamente mesmo depois de frustrações, que é o nosso grande desafio. Hoje a recompensa veio. Nós chutamos aquele pênalti juntos. Jogadores diretoria, torcida. Nós conseguimos um objetivo muito importante.”

Diego sabe que ele e todo o time precisam agora ter a exata noção do lugar que ocupam no espaço e tempo rubro-negro. É um camisa dez moralmente à altura dos melhores que o clube já teve. O meia sabe que o Flamengo chega na última semana da mais longa temporada de sua história sem a Libertadores, sem o Brasileiro, sem pernas, sem muita tática, sem boa fase técnica. A única coisa que não se deve perder é a confiança. Para isso é preciso também reconhecer suas batalhas perdidas. Para poder vencer a guerra que se trava dentro da mente.

Imagem destacada no post e redes sociais: Reprodução YouTube


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