Da Sapucaí para o Maraca: relembre sambas-enredos históricos cantados pela torcida do Flamengo

Os desfiles da Marquês de Sapucaí ficaram para abril, mas muitos sambas-enredos estão na história. Famosas obras que embalaram as escolas de samba saíram da Avenida e ganharam o Maracanã através da torcida do Flamengo. Muitas delas ficaram marcadas tanto no carnaval, quanto nos estádios.
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União da Ilha e Salgueiro lideram a lista. Entre as escolas mais populares do Brasil, as agremiações “forneceram” um arsenal de músicas que animaram as festas dos torcedores. Por isso, o Mundo Bola preparou uma lista com alguns dos sambas históricos e que ganharam o coro dos torcedores nas arquibancadas:
Festa para um Rei Negro – Salgueiro 1971
“Ô-lê-lê, ô-lá-lá, pega no ganzê, pega no ganzá”
Um dos sambas mais famosos de todos os tempos, o refrão fácil e popular do Salgueiro rendeu o título à escola da Tijuca. Mas nos anos seguintes ele saiu da Avenida e foi para as arquibancadas através das torcidas. É, para muitos, uma das primeiras obras a ganharem coro nos estádios. A do Flamengo foi uma das primeiras, ainda na década de 70.
Entretanto, não foi apenas a rubro-negra. Até mesmo os torcedores do Barcelona entoam o samba em jogos do time, na Catalunha.
Bum bum paticumbum prugurundum – Império Serrano 1982
“Bum, bum paticumbum, prugurundum
O nosso samba minha gente é isso aí, é isso aí
Bum, bum paticumbum, prugurundum
Contagiando a Marquês de Sapucaí”
O samba de Aluísio Machado e Beto Sem Braço ganhou o carnaval e rendeu o último título do Império Serrano. No entanto, embalou a torcida do Flamengo, semanas depois, na vitória sobre o Atlético-MG por 3 a 2. Por “dar sorte” ao Rubro-Negro, virou um hino no resto daquele ano.
Aquarylha do Brasil – União da Ilha 1988
“A gaitinha tocando… é gol
A galera vibrando… Mengo!”
Aqui temos um curioso caso em que as arquibancadas que inspiraram as escolas de samba. No enredo em homenagem ao rubro-negro Ary Barroso, a União da Ilha, uma das agremiações mais populares dos anos 80, usou cânticos de arquibancada. Mas logo veio o “contra-ataque” da torcida.
O refrão, que virou sensação no carnaval, foi entoado pelos torcedores do Flamengo no ritmo do samba. Contudo, não durou muito tempo, porque veio um furacão no ano seguinte…
Festa Profana – União da Ilha 1989
“O rei mandou cair dentro da folia
E lá vou eu (e lá vou eu)
O Sol que brilha nessa noite vem da Ilha
Lindo sonho que é só meu”
É impossível falar de festa no Maracanã sem citar este samba. Um dos mais famosos de todos os tempos, a obra de J. Brito e Bujão se tornou um hino dos estádios cariocas. Não apenas a torcida do Flamengo, mas de todos os demais clubes também cantaram.
No entanto, foi com os rubro-negros que ganhou fama. Principalmente durante a campanha de 1990 do time campeão da Copa do Brasil.
De bar em bar, Didi, um poeta- União da Ilha 1991
“Hoje eu vou tomar um porre
Não me socorre eu tô feliz
Nessa eu vou de bar em bar
Beber a vida que eu sempre quis”
Era regra no Maracanã: comemorar as vitórias do Flamengo ou um gol com o samba da Ilha. Outro mega sucesso do carnaval insulano, o refrão composto por Franco em homenagem ao compositor Didi virou febre nos estádios.
A torcida rubro-negra não perdeu tempo e passou a adaptá-la de diferentes maneiras. Mas até hoje segue sendo hino das conquistas e títulos do time.
Peguei um Ita no Norte – Salgueiro 1993
“Explode coração
Na maior felicidade
É lindo meu Salgueiro
Contagiando e sacudindo esta cidade“
Não existe um brasileiro que desconheça o mais famoso samba de todos os tempos. É um responsável direto pelo título salgueirense daquele ano, mas também pela hecatombe que foi a passagem da escola na Sapucaí. Não à toa, saiu das arquibancadas do sambódromo e foi parar nas dos Maracanã.
É tão popular que até mesmo nos dias atuais, 29 anos depois, segue cantado pela torcida do Flamengo nos estádios.
Uma vez Flamengo… – Estácio de Sá 1995
“Cobra coral
Papagaio vintém
Vesti rubro-negro
Não tem pra ninguém”
Óbvio que não poderia faltar o mais famoso samba sobre o Flamengo. Mas ao contrário dos demais, acabou naturalmente ganhando as arquibancadas. Apesar de não ter ganho o carnaval, a obra da Estácio de Sá se tornou um dos mais populares hinos da torcida rubro-negra.
O refrão do meio, assim como a União da Ilha de 1988, se inspirou em cânticos do Maracanã. O “Uh Tererê” foi um funk que fez grande sucesso no começo dos anos 90 e virou apoio nos jogos.
Salgueiro, minha paixão, minha raiz – 50 Anos de glória – Salgueiro 2003
“Salgueiro, vermelho
Balança o coração da gente
Guerreiro, é de bambas um celeiro
Apenas uma escola diferente”
Dez anos após o Ita, a Academia voltou a ser “fornecedor” de um samba para a torcida rubro-negra. Entretanto, desta vez de forma peculiar. Por conta do atacante Fernando Baiano, torcedores adaptaram a obra como “Fernaaaaaaaaaando, Baiaaaaaaaaaaaano, balança o coração da gente”.
Não demorou muito para ficar muito famoso também. Principalmente após o gol de empate no jogo de ida da final da Copa do Brasil, contra o Cruzeiro, no Maracanã. Mas no fim, Flamengo e Salgueiro acabaram sem os títulos…
A Vila canta o Brasil celeiro do mundo – Água no feijão que chegou mais um… – Vila Isabel 2013
“Festa no arraiá,
É pra lá de bom
Ao som do fole, eu e você
A Vila vem plantar
Felicidade no amanhecer”
Ao longo do novo século, as escolas de samba e suas músicas foram desaparecendo da mídia. Mas também das arquibancadas. Com cada vez menos contato com as obras, o torcedor passou a adaptar outras músicas.
No entanto, em 2013 foi diferente. Campeã do carnaval com Martinho da Vila, Arlindo Cruz, André Diniz, Leonel e Tunico da Vila compondo o samba, a Vila também ajudou a manter viva a tradição. Contudo, acabou dando sorte também.
Já com o Flamengo em reformulação com a Chapa Azul, a conquista da Copa do Brasil ouviu a torcida cantá-lo algumas vezes.