Téo Benjamin: como os clubes de Jorge Jesus atuam no mercado de transferências de jogadores

09/06/2019, 13:06
Atualizado: 25/02/2025
jorge jesus transferências

Jorge Jesus é importante para um modelo que não é apenas uma estratégia de compra e venda simples, temporada a temporada

Muito tem se falado sobre Jorge Jesus. Muitos programas foram destrinchar seus esquemas táticos, suas entrevistas, seu salário… Gostaria de abordar um outro lado: a atuação dos seus clubes no mercado de transferências.

O Benfica é um clube vendedor. Seu modelo é contratar jogadores jovens e baratos para vendê-los mais caro para mercados maiores. Portugal acabou se tornando uma espécie de porta de entrada de sul-americanos na Europa, e Jorge Jesus foi importante no sucesso dessa estratégia.

Nas três temporadas anteriores à sua chegada no Benfica, o clube só fez duas vendas importantes: Manuel Fernandes (então com 21 anos) ao Valência por €18 milhões e Simão Sabrosa (já com 27 anos) para o Atlético de Madrid por €20 milhões.

A primeira temporada de JJ (2009-10) foi a única de sua passagem com prejuízo no mercado de transferências. O clube não fez vendas importantes, arrecadando menos de €7 milhões, mas fez algumas compras, gastando mais de €32 milhões. Era a montagem do elenco.

Entre as principais aquisições da primeira temporada, estavam Javi Garcia (22 anos, €7 mi), Ramires (22 anos, €7,5 mi) e Javier Saviola (27 anos, €5 mi).

Também chegaram os brasileiros Airton (19 anos), Alan Kardec (20 anos) e Eder Luís (24 anos), por menos de €3 mi cada.

Do Fla para o Benfica de Jorge Jesus. Foto: Flamengo / Divulgação

O Benfica, aliás, intensificou suas compras na América do Sul. Entre os brasileiros, foram comprados não apenas jogadores dos times grandes, mas também da Ponte Preta, do Paraná, Goiás, São Caetano e Sport.

Na segunda temporada, continuou apostando. Trouxe os goleiros Roberto (24 anos, €8,5 mi) e Oblak (17 anos, 1,7 mi), o atacante espanhol Rodrigo (19 anos, €6 mi) e os argentinos Nico Gaitán (22 anos, €8,4 mi), Franco Jara (21 anos, €5,5 mi) e Eduardo Salvio (empréstimo).

Mas o lucro foi enorme. Vendeu Di Maria, que havia chegado em 2007 por €6 mi e saiu em 2010 com 22 anos por €25 mi + €11 mi em cláusulas, e Ramires, depois de apenas uma temporada, por €22 mi. David Luiz ainda saiu no meio da temporada por €25 mi + Nemanja Matic.

David Luiz no Benfica: transferência vantajosa. Foto: Divulgação / Benfica.

Essa transferência, aliás, é incrível. Matic chegou do Chelsea no início da temporada 2011-12 como parte da negociação por David Luiz. Jogou duas temporadas e meia como titular e foi revendido ao Chelsea em janeiro de 2014 por €25 mi!

Na terceira temporada, 2011-12, trouxe mais sudacas: o goleiro brasileiro Artur (30 anos, de graça), titular por dois anos e meio até se machucar, Ezequiel Garay (24 anos, €5,5 mi), titular por 3 temporadas, e Enzo Pérez (25 anos, €5,5 mi), jogador fundamental.

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Ainda nessa janela, Jorge Jesus foi buscar o jovem Axel Witsel, de 22 anos, no Standard Liège por €6,5 mi. O belga foi vendido um ano depois para o Zenit por €40 mi! As saídas de Fabio Coentrão (23 anos, €30 mi) e Roberto (25 anos, €8,6mi) equilibraram o caixa.

Axel Witsel rendeu ao Benfica incríveis €33,5 mi apenas um ano após ser contratado. Foto: Valerio Pennicino/Getty Images Europe.

Em 2012-13, o Benfica conseguiu adquirir Eduardo Salvio (22 anos), comprando os 80% que restavam por €11 mi. Ainda comprou Ola John (21 anos, €9 mi). Além de Witsel, vendeu Javi Garcia por €20 mi + 3 mi em bônus e conseguiu lucrar até na revenda de Éder Luís ao Vasco.

A temporada seguinte foi calma, com transferências pequenas. Apenas a saída de Matic (já mencionada acima) chama atenção. Poucas chegadas, com leve destaque para Markovic (19 anos, €6 mi). Foi a temporada da tríplice coroa doméstica com vice da Liga Europa.

Na última temporada de JJ, o Benfica trouxe três brasileiros importantes: Jonas (30 anos, de graça), Julio César (34 anos, de graça) e Talisca (20 anos, €4 mi). Vendeu André Gomes (20 anos, €10 mi) e Rodrigo (22 anos, €23 mi + 10 mi) para um grupo de investidores.

Ídolo dos Águias, Jonas chegou sem custo. Foto: Benfica / Divulgação.

Além disso, revendeu Markovic (20 anos, €12 mi por 50%) e Enzo Pérez (28 anos, €25 mi). Nos anos seguintes, o Benfica passou a vender jogadores da base: Renato Sanchez, Gonçalo Guedes, Hélder Costa, Bernardo Silva e João Cancelo, entre outros.

No Sporting, seguiu o mesmo modelo, mas com menos investimento. Valorizou Slimani (28 anos, €30 mi + 5 mi), João Mario (23 anos, €40 mi + 5 mi) e Rubén Semedo (23 anos, €14 mi), além de trazer velhos conhecidos: Markovic, Coentrão e Bruno César.

O modelo dos clubes portugueses é impressionante. Não foi uma novidade de Jorge Jesus e nem dependeu apenas dele, mas o treinador demonstrou uma capacidade apurada para encontrar talentos e, principalmente, refiná-los. Um jogador só se valoriza se jogar seu melhor futebol!

Não é apenas uma estratégia de compra e venda simples, temporada a temporada. Tem um caminho. Começa sem vender pra conhecer o elenco e fazendo muitas apostas. Depois vai lucrando nas vendas, repondo, e principalmente adicionando titulares.

Garay, Javi Garcia (depois Matic), Enzo Perez, Nico Gaitán, Salvio e mais tarde Lima e Jonas foram titulares importantíssimos. O elenco foi se formando pra ser campeão e nas últimas duas temporadas estourou nos resultados!

Falamos um pouco sobre isso e muito mais no episódio do Conexão Mundo Bola #2 – Análise e perspectivas para o Flamengo de Jorge Jesus – que foi ao ar hoje (09/06)! Vale a pena assinar o feed. Ele já está disponível no Spotify e na maioria dos agregadores (em breve no Deezer e iTunes também).

 

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Téo Ferraz Benjamin
Autor
Escrevo as análises táticas do MRN porque futebol se estuda sim! De vez em quando peço licença para escrever sobre outros assuntos também.