Com maior orçamento da história, Flamengo reapresenta a base para 2026

Na última sexta-feira (23), cerca de 150 profissionais do Flamengo, desde a categoria sub-6 até a sub-20, se reuniram no Salão Nobre da Gávea para o início do planejamento da base para 2026.
➕Flamengo assina 1º contrato profissional com joia da base
Liderado pelo vice-presidente Fábio Palmer e pelo diretor Alfredo Almeida, o encontro serviu para alinhar o discurso da nova filosofia rubro-negra, que promete deixar de lado a obsessão por títulos nas categorias de base para ter como foco principal a formação de craques.
Base do Flamengo terá seu maior orçamento da história
Em seu discurso, Fábio Palmer trouxe uma novidade que animou os presentes. Seguindo as diretrizes do presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap), o investimento financeiro na base será sem precedentes.
"A partir deste ano teremos o maior orçamento de base da história do Flamengo, em termos de investimento. Nunca se investiu tanto nesta área. Vamos dar todo o suporte em termos de infraestrutura, qualidade de trabalho, orçamento... É claro que quanto mais a gente dá, mais a gente exige", afirmou Palmer.
No entanto, o VP ressaltou que a exigência não será por troféus imediatos, mas pela recuperação do DNA formador do clube, que nos últimos anos revelou poucos nomes de impacto mundial após a venda de Vini Jr.
"O maior legado que essa gestão pode deixar para o clube não é no futebol profissional. É na base. (...) Ganhar é importante para criar uma mentalidade vencedora. No entanto, mais importante do que isso é formar o atleta, o ser humano", completou.
Mudança no modelo de formação
A mudança de filosofia passa diretamente pela visão do diretor de futebol profissional, José Boto. Em sua apresentação, ainda em 2025, o dirigente foi crítico ao modelo que prioriza a força física e a tática rígida em detrimento do talento natural brasileiro.
"Vocês estavam bem, foram copiar a Europa e neste momento estão mal. Não produzem tanto talento quanto há 10, 30 anos. (...) Na Europa, viemos aqui para buscar coisas boas que vocês faziam na base. É fundamental mudar a forma como se formam jogadores no Brasil", diagnosticou Boto.
Essa mentalidade agora é implementada na prática por Alfredo Almeida, braço direito de Boto, que assumiu o comando da base. O objetivo é retomar o drible, a criatividade e a liberdade técnica, mesmo que isso custe resultados esportivos a curto prazo, como a própria diretoria já alertou que 2026 pode ser um ano de "seca" de títulos na base.
Dispensas e contratações
O planejamento já está em execução. O clube reduziu o número de atletas na base de 400 para cerca de 250, dispensando "jogadores-problema" e nomes que não se encaixavam na nova cultura de esforço e responsabilidade. Recentemente, heróis de títulos passados, como Felipe Teresa (autor do gol do título mundial sub-20), tiveram seus contratos rescindidos.
Em contrapartida, o Flamengo investe em captação pontual de joias entre 15 e 17 anos. Nomes como Raimundo (Vila Nova), Samuel (Ferroviária) e Pedro Henrique (Palmeiras) chegaram recentemente com custo baixo e alto potencial de retorno, dentro da estratégia de ações citada por Bap: comprar barato para revender caro se o talento desabrochar.














