O Mário Filho é nosso! Respeitem a história do futebol carioca!

É com enorme perplexidade e lamento que recebemos a notícia da aprovação na ALERJ do projeto de alteração do nome do Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, para Estádio Edson Arantes do Nascimento – Rei Pelé, e faz coro para que o Governador em exercício Claudio Castro vete tal mudança.
O trâmite absolutamente açodado do projeto de Lei Estadual nº 3489/2021 de autoria do deputado estadual André Ceciliano, atual presidente da ALERJ, que correu a casa em apenas cerca de um mês (entrada em 02/02/21 e aprovação em 09/03/21), em ocasião totalmente intempestiva frente à pandemia de covid, mostra que os nobres parlamentares jamais quiseram que houvesse um debate aberto com a opinião pública fluminense.
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Não haveria Maracanã se não houvesse Mário Filho, figura central da campanha que levou o estádio a ser construído “no terreno do antigo Derby Club, no Maracanã”, insistindo igualmente que este deveria ser “o maior do mundo”.
Célebre torcedor rubro-negro, criador da expressão “Fla-Flu”, entendeu como poucos a alma rubro-negra – seu livro Histórias do Flamengo, de 1934 é um marco sobre a mitologia e a identidade flamenga.

Presidente do Jornal dos Sports por décadas, também foi autor do livro basilar e definitivo sobre o futebol brasileiro: “O Negro no Futebol Brasileiro“, de 1947. É dele também uma das citações mais célebres sobre Pelé:
“Dondinho era preto, preta dona Celeste, preta vovó Ambrosina, preto o tio Jorge, pretos Zoca e Maria Lúcia. Como se envergonhar da cor dos pais, da avó que lhe ensinara a rezar, do bom tio Jorge que pegava o ordenado e entregava-o à irmã para inteirar as despesas da casa, dos irmãos que tinha de proteger? A cor dele era igual. Tinha de ser preto. Se não fosse preto não seria Pelé.”
Pelé jamais terá suas glórias conquistadas no Estádio diminuídas, muito pelo contrário. Mesmo não tendo jogado oficialmente por nenhum clube de futebol da cidade do Rio de Janeiro, foi ali que fez seu milésimo gol, seu “gol de placa”, conquistou títulos e mais títulos.
Mas sua história no estádio não será maior ao se apagar e substituir o de Mário Filho. Fora que Edson Arantes do Nascimento já dá nome a um estádio de futebol no país, em Maceió, Alagoas: o Estádio Rei Pelé.
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É ainda mais lamentável que tal proposta descabida tenha vindo de um recém agraciado sócio honorário do Clube de Regatas do Flamengo. Provavelmente desconhecedor deste é que dos maiores e mais importantes rubro-negros de todos os tempos.
O gigante de concreto do Maracanã, um dos símbolos da alma carioca, tem apenas um nome: Estádio Jornalista Mário Filho. Defender o nome de Mário Filho é defender a história do Flamengo, e defender a história do Rio de Janeiro.
Assine o abaixo-assinado contra a mudança do nome do Maracanã
Assim, após a esta carta, também encaminhamos um abaixo-assinado ao Governador do Estado do Rio de Janeiro, clamando para que vete o projeto de Lei Estadual nº 3489/2021, de modo a preservar o Maracanã como justa e merecida homenagem ao Jornalista Mário Filho, por toda sua importância no projeto e construção do estádio, além da indelével contribuição para a história do futebol e de nossa cidade.
CLIQUE AQUI PARA ASSINAR:

Assinam esta carta e iniciativa:
Fábio Calil
Guilherme de Baère
Luiz Filho
Márcio Adão
Marcos Schettini
Marcus Campos
Maurício Lopes
Roberto de Moraes