
Se convir batalhar, que batalhe. Se há qualidade suficiente para resolver com futebol, o faça.
A lição sobre si mesmo passou. O triunfo contra o Emelec fez renascer o flamenguismo, o que era extremamente necessário, mas já virou história, e pra contar, não se apoiar. Diante disso, chegamos à parte do enredo na qual é preciso conhecer sobre o filme, não apenas o possível protagonista.
Libertadores é malandragem, luta, guerrilha; mas, acima de tudo, principalmente hoje em dia, futebol. O clima é diferente, a competição se tornou uma obsessão, mas não pode ser tratada como outro esporte. Há como vencê-la jogando bola, inclusive é o caminho mais curto.
É válido o blefe sobre o Gabigol, assim como o Rafinha levantar o peruano do migué na marra, para evitar cera. E tais acontecimentos tornam-se ainda mais favoráveis se forem tratados como algo secundário e circunstancial. Em primeiro lugar, deve-se estar organizado e afiado com a pelota.
Primeiro tempo não foi bom, porém nossa ideia era clara. Ofensivamente, o time não funcionou, mas a atitude foi de extrema maturidade. Faltou criatividade contra uma feroz retranca, faltou Gerson, que atualmente não pode ser reserva sob qualquer hipótese, mas em nenhum momento houve desespero. Paciência é diferente de lentidão, e a postura foi de quem sabia que a chance era enorme de haver alguma falha num sistema que esperava o Fla em seu campo por 90 minutos.
O Inter veio para uma atuação de Libertadores clichê, aquela de chamada dos programas esportivos, com “catimba”, jogo truncado, mordido, na intenção de esfriar e irritar o Flamengo. Estratégia que, por vezes, dá certo, mas nunca foi uma regra (imagem de algum zagueiro com a testa sangrando e a camisa rasgada não me convencerá do contrário). Instrução clara, desde o início, de não deixar o Flamengo jogar e segurar o 0x0.
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Segundo tempo, já com a escalação corrigida e os caras de lá mais nervosos, chegava aos 20 minutos quando eu, Leonardo, começava a me conformar com o placar sem gols e não achava ruim. Porque não conseguimos mais imaginar esta equipe atual tendo um comportamento covarde na casa deles e, lá, haveria mais espaço. Já seria um confronto mais propício a nós no Beira-Rio do que no Maraca, pois qualquer empate com gols nos daria a vaga.
Mas nenhum ferrolho futebolístico é intransponível. Uma saída compulsiva de Moledo para o ataque deu ao Fla o espaço necessário, e assim sai o primeiro gol, num contra-ataque arrogante de tão técnico e inteligente.
A partir daí, outro jogo. O 0x0, que traiçoeiramente se desenhava bom aos colorados, torna-se uma vantagem rubro-negra sem sofrer gols. Afeta o esquema e principalmente o psicológico. Num Maraca pulsando um certo ódio do bem, naquele momento, o segundo gol sai naturalmente.
Eles partem sedentos e mesmo assim só chegam uma vez, numa falha horrenda de Marí.
Não entro nessa de “fez-se justiça”, pois resultado injusto é só aquele com erro de arbitragem interferindo. Se não conseguíssemos balançar a rede de nossa cria, seria também mérito deles, mesmo que para isso tenham feito um jogo mais feio que a tesoura do Valdir Papel em 2006. Mas nosso caminho escolhido nos primeiros 90 minutos é bem mais reto, sem zig-zag. Sempre será, independente de qualquer jargão.
Se convir batalhar, que batalhe. Se há qualidade suficiente para resolver com futebol, o faça.
A partida do Flamengo foi ok em nível estético e de almanaque em termos de proceder.
Já sofremos com muita molecagem desta camisa nessa Copa maldosa, que não perdoa. Desta vez, pela Copa, homens. Nela, a força de espírito ainda vale mais que a bruta.
Homens olham de frente, pra frente.
Nem de cima, nem de baixo.
Buscando a retomada contra um mais fraco, sendo paciente e amplamente superior na primeira metade contra um adversário de fato perigoso de véspera, que não permite um blitz avassaladora nos primeiros 15 minutos.

Pode ser que precisemos do instinto primitivo em determinado momento. O clichê da competição também é baseado em fatos históricos. Mas nunca devemos abdicar de fazer o que mostramos, cada vez mais, ser capazes.
O Flamengo de hoje joga bola, e ela tá com a gente.
Se ainda não sabemos o final deste filme, temos total consciência do que podemos sonhar, e com respaldo para tal.
Arão fará falta, e muita.
Obrigado, Bruno Henrique.
Faltam quatro.
Saudações,
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