Bap critica reforma tributária e diz que Flamengo pode pagar mais imposto que SAFs

O Flamengo emitiu um alerta grave nesta segunda-feira (2) sobre os impactos da Reforma Tributária no esporte nacional. Segundo projeções financeiras divulgadas pelo clube, as mudanças fiscais, se mantidas como estão, podem gerar um prejuízo acumulado de cerca de R$ 728 milhões nos próximos sete anos.
O presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap), classificou o cenário como insustentável e avisou que a nova taxação afeta diretamente não apenas o futebol, mas ameaça a existência de todas as modalidades olímpicas e projetos sociais do Rubro-Negro.
Flamengo aponta risco de inviabilidade financeira com nova reforma tributária
Em documento oficial divulgado aos sócios e à imprensa, o clube detalhou que a Reforma traz um "risco real" de inviabilidade financeira para associações desportivas. O texto destaca dois problemas cruciais: o fim de isenções fiscais históricas para associações sem fins lucrativos e um aumento significativo da carga tributária sobre as receitas esportivas.
O Flamengo argumenta que, ao impor uma carga maior a quem cumpre função social (clubes associativos), o sistema cria um desequilíbrio que compromete a sustentabilidade dessas instituições em comparação com empresas que visam lucro.
Bap: "Do jeito que está, é melhor virar SAF e abandonar o esporte olímpico"
Em entrevista à Flamengo TV, o presidente Bap foi contundente ao analisar os números. Ele explicou a matemática que hoje sustenta os esportes olímpicos da Gávea. O clube investe cerca de R$ 70 milhões por ano nessas modalidades, mas arrecada apenas cerca de R$ 24 milhões via leis de incentivo. Ou seja, o Flamengo retira R$ 46 milhões do próprio caixa para cobrir esse déficit anualmente.
Com o aumento dos impostos, essa conta deixaria de fechar.
"Se você vai ter que manter 12 negócios diferentes, nos quais somente um dá dinheiro, e que se você mantiver os 11, é pior para você do que manter só um, é melhor você acabar com os outros 11. (...) Do jeito que as coisas estão caminhando, é melhor virar SAF e não ter nenhuma obrigação", disparou o mandatário rubro-negro.
Por que clubes associativos seriam mais prejudicados que as SAFs?
O ponto central da crítica rubro-negra é a distorção tributária criada pela nova legislação. Bap explicou que, no cenário atual, uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol), que tem finalidade de lucro e pode ter capital estrangeiro, paga uma alíquota de 6% de imposto. Já os clubes associativos, que são entidades sem fins lucrativos, podem ter que pagar até 11%.
"É justo que SAFs com fins lucrativos, muitas controladas por capital estrangeiro, paguem menos imposto?", questiona o documento do clube.
Para o presidente, essa lógica é "perversa", pois onera mais quem reinveste 100% do que gera no Brasil e na formação de atletas, enquanto beneficia modelos que não têm compromisso de longo prazo com as comunidades.
Impacto vai além do Flamengo e ameaça todo o esporte olímpico
Bap fez questão de ressaltar que o movimento não é um pedido exclusivo do Flamengo, mas um "chamamento em nome de todos os clubes coirmãos". O documento cita instituições tradicionais como E.C. Pinheiros-SP, Minas Tênis Clube-MG, Praia Clube-MG, Corinthians-SP e Grêmio Náutico União-RS como vítimas potenciais da reforma.
Segundo o dirigente, se o Flamengo, que hoje possui a maior saúde financeira do país, vai "sofrer muito", clubes menores correm risco de morte institucional.
"Os que estão piores do que o Flamengo, vão morrer. (...) O dinheiro que vai ser arrecadado com isso não vai, infelizmente, resolver os problemas fiscais do nosso país", afirmou Bap.
O que o Flamengo propõe para mudar o cenário
Para evitar o colapso do esporte olímpico, o Flamengo apresentou propostas concretas às autoridades em Brasília:
- Derrubada de vetos (curto prazo): o Flamengo pede a derrubada do veto nº 8/2026 para garantir, imediatamente, a igualdade tributária com as SAFs (fixando a alíquota em 6% ou menos) e o restabelecimento de isenções fiscais para importação de equipamentos esportivos.
- Diferenciação legal (médio prazo): criar uma distinção clara entre o Clube Associativo Brasileiro sem fins lucrativos e as empresas (SAFs), com alíquota reduzida ou zerada para quem reinveste no esporte e na sociedade.











