Atletas paralímpicos desligados do Flamengo desabafam contra gestão de Bap

Atualizado: 08/01/2026, 09:42
Atletas do Flamengo no prêmio paralímpico Brasil

O Flamengo iniciou o ano de 2026 decidindo acabar com a única modalidade paralímpica do clube: o remo. E as críticas dos atletas são intensas ao atual presidente do clube.

➕Atleta dispensada pelo Flamengo desabafa e critica clube após fim do pararemo

Gessyca Guerra e Michel Pessanha conquistaram o Prêmio Paralímpico 2025 no remo. Mas isso não foi suficiente para evitar a notícia que receberiam dias depois. Em entrevista ao 'Uol', Gessyca desabafa e aponta mentiras da atual gestão.

"O Flamengo fala sobre inclusão, representatividade em todos os aspectos do esporte. Diz que apoia e compra essa cultura, esse legado, mas isso não é verídico, tanto que extinguiram o para-remo", inicia a atleta.

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Michel Pessanha, por sua vez, explica que não recebeu qualquer explicação, o que o deixou bem frustrado.

"Foram 12 anos servindo o Flamengo. Achava que merecíamos algumas explicações, mas não foi assim. Acabou e acabou. O Flamengo tem um departamento social, diz que apoia diversas causas, inclusive a da pessoa com deficiência... Como apoia se não quer no clube?", questiona.

Gessyca fala ainda sobre as condições precárias que encontrava no Flamengo para seguir fazendo o que ama.

"Nestas tentativas de conversas, cada hora indicavam uma coisa. Em um momento haveria cortes porque estávamos onerando o clube, em outro porque a diretoria não queria mais esporte adaptado. Após o anúncio do Flamengo, falou-se muito em custos: eu ganhava um salário mínimo. E, desde quando comecei, em 2020, fui campeã de tudo pelo Flamengo, remando sozinha ou em conjunto", comenta.

'Essa diretoria não quer trabalhar com atletas com deficiência', dispara Michel

O desabafo de Michel Pessanha é forte. O atleta, primeiro, expõe seus resultados incríveis com o Manto Sagrado.

"Eu nunca perdi um título pelo Flamengo no Brasileiro. Eu estou invicto desde quando entrei no departamento. Já ganhei Mundial, nos Estados Unidos, vestindo a camisa do Flamengo. Tenho resultados em Copas do Mundo e Mundiais pela seleção", diz, antes de continuar:

"O remo não pode acabar no Flamengo, mas pode acabar com o paralímpico? Acabar com o departamento como se as pessoas fossem descartáveis? Por toda a minha história no clube, deveria ter o mínimo de respeito. Estamos falando de atletas que têm resultados expressivos".

Michel tem sequelas da poliomielite na perna e na nádega, as duas embaixo do lado direito. No Remo desde os 12 anos, ele afirma que o verdadeiro motivo do desligamento se dá pelo desejo do clube de não trabalhar com deficientes.

"O Flamengo está passando por alguma crise financeira que não possa manter os atletas? Não é isso, mas eles também não chegaram e sentaram conosco para conversar e explicar o real motivo. Tinha atleta que recebia um salário mínimo. O real motivo acredito que seja o fato dessa diretoria não querer trabalhar com atletas com deficiência", conclui.

O fim do para-remo no Flamengo

O anúncio do fim da modalidade foi publicado pelo Flamengo na semana passada, e além de Michel e Gessyca, Diana Barcellos e Valdenir Junior também se despediram do clube por conta da decisão sem explicações aprofundadas por parte do clube.

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Erick Viana
Autor
Jornalista formado pela UniCarioca e pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Especializado na cobertura do Flamengo, une paixão pelo esporte e pela comunicação para levar informação com credibilidade e emoç...