Ary Barroso terá sua vingança em Mar del Plata

17/12/2023, 09:59
Atualizado: 17/12/2023
Time do Flamengo que participou do torneio internacional Master Voley de Mar del Plata

A vitória com sacrifício, me disse certa vez o gentil lutador Vitor Freitas, é de uma sensação incomparável. “É melhor que ganhar um sacão de dinheiro, Dun!”, garantiu ele.

Em dezembro, no torneio internacional Master Voley de Mar del Plata, pudemos tirar essa prova, já que todos os 15 do time trocaram juntos seus parcos dólares por pesos. A remessa chegou ao hotel em clima doutorcastoriano, numa saca de papel estilo Sendas.

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Novato na equipe acima de 45 anos do Flamengo, só agora comecei a colaborar em alguns jogos com meus petelecos. Mas o fato é que senti na Argentina a maior alegria desportiva da minha inconstante carreira. Era a terceira partida das sete que faríamos em apenas três dias. Após um bloqueio malsucedido, o pé cambou. Deu-se a partir daí a cena inesquecível.

Por baixo da meia, espiei maravilhado um roxo jamais registrado nem pelo telescópio espacial James Webb voltado para as nebulosas. Meu tornozelo direito, coisa linda, pulsava como uma maquete de Júpiter, e eu via até as estrelinhas.

Você cogitaria desistir, se estivesse ao lado de 14 craques, ainda mais com a criançada argentina atrás, “Ey, Gabigol, ey, Gabigol”? Era uma conta fácil de fazer, mesmo com dor. O Flamengo por 45 anos tem me brindado com emoções e alegrias raras. Eu só precisava pular feito louco, ou saci, por mais quatro partidas e meia.

Ganhamos o bronze em jogo dramático, no 25 a 24 (regras locais). Celebramos com moderação, bem ao contrário do time campeão, o Banco Provincia, que não resistiu e entoou uma cantoria mequetrefe de “Aquarela do Brasil”, como se Ary Barroso, também flamengo, tivesse alguma culpa. A prata ficou com a equipe Momias.

Marcelo Dunlop posa com a taça de bronze do torneio internacional Master Voley de Mar del Plata
Você cogitaria desistir, se estivesse ao lado de 14 craques? Foto: Marcelo Dunlop

Não há hipótese de não voltarmos. Pelo ouro. Pelo Manto Sagrado. Por Ary Barroso. Pelos amigos no clube Club Once Unidos, que tão bem nos receberam. E, que diabos, por todo ojo de bife, entrañas e empanadas que fizemos e faremos novamente por merecer. Alimentos, inclusive, que parecem possuir propriedades anti-inflamatórias divinas.

O Flamengo quarentão, treinado por Vitor Gelli e sob a coordenação técnica de Claudio Mello, jogou com:

  1. Leandro “Rulo” Monaco
  2. Breno Breder
  3. Anderson Felipe
  4. Eduardo “Dadinho” Tinoco
  5. Cris da Costa
  6. Marcelo Vinicius
  7. Flávio Elgarten
  8. Flavio Mundim
  9. Gustavo Bursztyn
  10. Fabiano Azevedo
  11. João Vergueiro
  12. Marcelo Dunlop
  13. Cesar Boggian