Análise: Como o Atlético-MG de Mohamed pode se defender do Flamengo?

Seguindo a análise adversário do Flamengo neste domingo (20) pela Supercopa do Brasil, vamos seguir avaliando o início do trabalho de Antônio Mohamed no Atlético-MG.
Enquanto anteriormente analisamos a organização ofensiva do clube mineiro, por outro lado vamos conferir hoje a análise do Atlético-MG em organização defensiva, ou seja, o período em que a equipe está sem a bola.
A análise vai utilizar como base as três partidas em que a equipe utilizou uma formação inicial com jogadores considerados titulares: as vitórias sobre Tombense (3×0), Patrocinense (3×0) e América-MG (2×0).
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A pressão alta do Atlético-MG
A princípio, o Atlético-MG de Mohamed prefere trabalhar em bloco médio na maior parte do tempo durante os jogos. Todavia, foi possível constatar um padrão no início dos tempos das três partidas analisadas: a marcação no inicio da 1ª fase de construção adversária.
Nesse sentido, o Alvinegro busca realizar esta pressão com seis jogadores. Numa formatação em 4-4-2, a equipe de “Turco” Mohamed quer forçar passes longos do adversário para buscar rapidamente retomar a bola. Bem como pode interceptar a posse do oponente e entrar rapidamente em zona de finalização.
Essa marcação é feita normalmente de forma individual, com encaixes dos atacantes e meias atleticanos nos zagueiros e laterais adversários.

Mecanismos de marcação em organização defensiva de Mohamed
Assim como seu antecessor Cuca, o Atlético-MG de Mohamed trabalha na maior parte do tempo em organização defensiva em bloco médio. Contudo, há algumas diferenças na forma de se defender de ambas equipes.
Cuca trabalhava de forma geral num 4-4-2/4-2-3-1 em bloco médio compacto, no qual se baseava muitos encaixes individuais. Pontas eram responsáveis pela marcação dos laterais, zagueiros e laterais realizavam perseguições nos atacantes e ponteiros.
Já Mohamed trabalha de forma diferente. Eventualmente o turco também trabalha com encaixes individuais, porém limitados a setor específico do campo. Essa marcação é chamada de “Individual por setor”.
Dessa forma, algumas perseguições acontecem, porém, são mais curtas e respeitando uma determinada região do campo. Por exemplo: Godín pode caçar Gabi caso o “Príncipe da Gávea” saia da área e busque se associar com seus companheiros. Mas o zagueiro uruguaio não irá segui-lo até o corredor lateral, vai respeitar a região na qual é responsável: a entrada da grande área.
Além disso, existe uma diferença na formatação tática abordada: A equipe trabalha na maior parte do tempo num 4-1-4-1. Nesse caso, Jair deixa de estar mais próximo dos zagueiros e passa a ficar mais próximo de Nacho. Portanto, Allan se torna o responsável para proteger o entrelinhas do clube mineiro.
A transição defensiva do Atlético-MG
De forma geral, o time mineiro trabalha em transição defensiva buscando proteger às costas da última linha. A dupla de volantes Jair e Allan e o zagueiro Nathan Silva têm grande capacidade de fazer recomposição após a perda da posse.
Assim, a equipe normalmente prefere deixar o adversário com a bola descoberta para retomar rapidamente em bloco médio compacto em organização defensiva.
Eventualmente os defensores podem realizar perseguições mais longas nos atacantes adversários, visando manter a referência da bola. Porém essas perseguições são feitas em direção ao seu campo de defesa. A pressão pós-perda não é um padrão recorrente.
Como o Atlético-MG pode se defender do Flamengo?
Organização Defensiva
Projetando as duas equipes em campo é possível projetar que o Atlético-MG inicie a partida pressionado alto a saída de bola do Flamengo. Durante o decorrer da partida, os atleticanos devem baixar seu bloco e se compactarem numa região mais segura do campo.
Com dois objetivos principais: proteção das costas dos ataques rubro-negros e, eventualmente, exploração dos espaços que o Flamengo pode gerar quando retomar a posse.

Transição Defensiva
Nos momentos em que o Atlético-MG perder a posse da bola, é possível imaginar que a equipe buscará rapidamente se recompor e impedir que o Flamengo faça ligações diretas aos seus ponteiros mais rápidos. Assim um encaixe individual em Bruno Henrique é uma possibilidade real.

Estas são algumas possibilidades que o Atlético-MG de Mohamed pode utilizar para defender do Flamengo. Entretanto, é preciso ressaltar que o gol pode ser um fator determinante para a mudança do comportamento do nosso rival nessa final.
Caso saia na frente do placar, pode abdicar de subir pressão para dificultar a saída do Mengão. Analogamente, pode ser mais agressivo na marcação caso esteja em desvantagem.