Adriano Imperador afirma que poderia ter vencido a Bola de Ouro de 2004 e desabafa sobre a carreira

Atualizado: 26/02/2026, 15:13
Adriano em entrevista na Itália.

Um dos maiores ídolos da história recente do Flamengo, Adriano Imperador abriu o coração sobre o auge de sua carreira na Europa. Em entrevista ao "Betsson.Sport Talks", o ex-atacante afirmou que, em 2004, jogou futebol suficiente para ter conquistado a Bola de Ouro, prêmio que acabou ficando com o ucraniano Andriy Shevchenko.

Adriano Imperador visita CT da Inter e emociona Marcus Thuram

Dono de uma força física invejável e uma perna esquerda letal, Adriano viveu um ano mágico em 2004. Ele foi o grande protagonista da conquista da Copa América com a Seleção Brasileira, marcando o inesquecível gol de empate contra a Argentina nos acréscimos, e já brilhava com a camisa da Inter de Milão.

Ao relembrar a disputa pelo prêmio de melhor do mundo naquele ano, o Imperador foi direto:

"Acho que eu poderia ter conquistado a Bola de Ouro. Deram para Shevchenko, que era excelente, mas na época eu estava no mesmo nível", declarou.

Números da disputa em 2004

Na época, Shevchenko defendia o Milan e vivia fase esplendorosa, tendo conquistado o Campeonato Italiano de 2003/04 com 24 gols marcados. Na votação da revista France Football, o ucraniano venceu com 175 pontos.

Os principais concorrentes foram o luso-brasileiro Deco (2º lugar, com 139 pontos) e Ronaldinho Gaúcho (3º lugar, com 133 pontos).

Adriano terminou aquela edição na 6ª colocação, com 27 votos. Na temporada 2003/04, o Imperador dividiu seu tempo entre Parma e Inter de Milão, registrando 21 gols e quatro assistências em 31 partidas.

'Poderia ter feito muito mais'

Além da questão técnica, Adriano refletiu sobre os fatores extracampo que impediram que ele dominasse o futebol mundial por mais tempo. O ex-jogador admitiu que, se tivesse mantido o foco, poderia ter prolongado seu auge.

"Eu realmente poderia ter feito muito mais na minha carreira, sempre penso nisso. Quando assisto a vídeos meus, acho que poderia ter jogado mais três ou quatro anos em alto nível. Se eu tivesse conseguido me concentrar, poderia ter ganhado a Bola de Ouro".

Imapcto da morte do pai na carreira de Adriano

O ponto de maior mudança na carreira do craque foi a morte de seu pai, Almir, em agosto de 2004. Embora tenha continuado a jogar em alto nível por um tempo, chegando a ficar em 7º na Bola de Ouro de 2005, a dor do luto cobrou seu preço posteriormente.

"Eu poderia ter feito muito mais, mas chegou um momento em que o Adriano não estava mais lá. Para ser o Imperador, eu precisava ser o Adriano primeiro. Eu estava pensando demais no que tinha acontecido com o meu pai, e não é desculpa, é que isso realmente me entristecia".

Essa tristeza motivou seu retorno ao Brasil, determinado a "colocar a cabeça no lugar". Após passagem pelo São Paulo, ele voltou definitivamente em 2009 para fazer história no Flamengo, onde liderou a conquista do Hexacampeonato Brasileiro. Veja a entrevista completa:


James Brito
Autor
26 anos, natural de Vitória da Conquista (BA), jornalista em formação pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Curioso por natureza, busca no esporte um campo infinito para observar, aprender e comunicar.