A torcida organizada Fla-Noia decidiu que o estadual é mais importante que a temporada


Um rubro-negro que acordasse hoje após um longo período em coma ou fosse devolvido ao planeta Terra nesta manhã depois de uma abdução alienígena teria tudo pra acreditar que o clube vive um dos piores momentos de sua história. Nas redes sociais os torcedores discutem rebaixamento, nos grandes portais se fala sobre o regulamento da Série B do Carioca, as análises mais gentis das últimas rodadas sugerem que os nossos jogadores abandonem o esporte e busquem outras oportunidades profissionais.
Não que a situação atual do Flamengo no Campeonato Carioca não seja constrangedora. Se trata de um ponto em três jogos, a lanterna de um grupo que inclui Maricá e Boavista e a perspectiva de não apenas não se classificar para as semifinais do torneio como precisar disputar um lamentável quadrangular com as outras três piores equipes da competição, o que não é uma situação normal e não pode ser tratado como se fosse.
Qualquer planejamento que tenha como consequência “conversa sobre rebaixamento no Carioca” obviamente apresenta problemas. Como o time sub-20 campeão mundial e que empatou com o Mirassol fora de casa está apanhando no Carioca para times que nem divisão tem? Quem considerou que essa molecada estava pronta pra disputar esse começo de temporada? Ninguém esperava que uma equipe de moleques fosse se comportar como uma equipe de moleques, com instabilidade técnica, tática e emocional?
São críticas e questões válidas e necessárias, já que a expectativa era que o elenco profissional entrasse no torneio em condições de disputar o título e não precisando lutar contra o rebaixamento, mas é preciso também diferenciar o que é preocupação genuína e correção de rota necessária do que é apenas desespero sem justificativa e paranóia de rede social.
Porque sim, um cenário provável, neste momento, é o do quadrangular de rebaixamento. São 3 jogos pela frente, sendo dois clássicos, o Flamengo é o lanterna de seu grupo com jogos a mais, e uma grande mudança no desempenho do time sub-20 parecia improvável. Mas sabe o que é ainda mais improvável? Esse time cair num quadrangular contra os 3 piores times do Carioca, podendo usar a equipe profissional completa em alguns desses jogos.
Então descontada a paranóia delirante do rebaixamento, o que sobra é discutir se valia ou não a pena alterar o planejamento definido pela comissão técnica de Filipe Luís e reduzir a pré-temporada da equipe profissional para evitar um constrangimento maior durante o Campeonato Estadual. Uma pergunta que pode parecer complexa, mas que fica bem mais simples se for apresentada de outras maneiras.
Pra você, chegar numa semifinal de Carioca vale o risco de machucar o Arrascaeta e deixar ele fora de jogos do Brasileirão ou da Libertadores? Pra você, vale mais ganhar um clássico na primeira fase do Estadual ou ganhar um título nacional/continental? Quem você acha que entende mais de fisiologia, o preparador físico que queria o nosso time profissional estreando daqui a alguns dias ou o maluquinho de internet com foto de óculos escuros dizendo que isso é vagabundagem e Pedro tem que ser titular amanhã?
Porque é evidente que o planejamento foi falho e é visível que os resultados não foram os esperados. Mas o único jeito de tornar pior uma situação já constrangedora era exatamente esse, recuando em relação ao que havia sido decidido, usando o time profissional antes do planejado, e colocando a temporada em risco por pressão externa e medo de falhar em jogos que valem, pra nossa temporada, menos do que uma ofensiva de Duolingo no celular do Danilo.
Resta agora torcer pra que essa correção de rota não cobre seu preço depois, nos momentos que realmente importam.














